sábado, maio 05, 2018

A TABOCADA

A TABOCADA

O ano de 1991 foi de seca no Rio Grande do Norte e afetou profundamente a agricultura e a pecuária. Eu havia deixado uma missão no Governo do Estado e retornei às minhas atividades na fazenda e nos negócios comerciais.
Em 1992 , iniciei uma compra de gado em outros estados porque ampliei meus negócios de venda de boi para abate. O meu gado e o que comprava na região não supriam o comércio local, ainda sofrendo os efeitos da estiagem e sem perspectiva de um ano melhor para a criação local.

Todos os dias da semana eu estava no matadouro pesando gado em Santa Cruz e uma vez por semana em Tangará.
Pedrinho, Elino, Francisquinho, Paulo de Irineu, Antônio do Açougue, Fernando, Luiz Bino, Abel, Nêgo Chato e outros marchantes, eram os compradores.

Um belo dia eu estava no matadouro , já tinha passado na casa de Isabel, que mamãe chamava Mistral, porque ela gostava deste perfume, e vim com Montilla, filho dela para a matança. Os marchantes começaram a abater os bois, que vinham de Araguaína ou de Colinas, no Tocantins. Quando entravam no salão de abate, como eram muito ariscos, se não estivesse laçado tinha que ser abatido a bala com um rifle 22, e eu pedia pra Zé Tororô , que era um grande atirador, para abater o animal. Os magarefes já estavam amolando as facas, Calango, Baidé, Bitonho, Birino, Claudio e outros.

Enquanto preparavam o boi para a pesagem eu ficava conversando com as pessoas que frequentavam o local. Encontrei Ana de Hominho, Tricola, Zé Romão, Raimundo Preto, João Nazario, Dr. Eugênio que atestava a sanidade do gado e Mané Pataca que ia pesar um gado da Boa Vista.

Severino de Gustavo, que era criador e comerciante de gado, chegou na conversa e falou:
- Chagas, compre meu gado. Agora só vendo se for todo, não fica nem o boi da carroça e você só me paga no dia primeiro de janeiro do próximo ano.
Severino era homem sabido e ganhava muito dinheiro em negócios e adorava quando dava uma tabocada num.
Eu olhei pra ele, meio desconfiado e disse:-Severino, Severino, o que é que você tá aprontando pra cima de mim ? "É sério" , ele respondeu.
Ele me puxou pelo braço e desafiou:- Compra ou não compra ? Se compra vá lá em casa domingo que o gado tá preso no curral.
- Eu vou, respondi.

Domingo, logo cedo, peguei Chico Bernardo e Ciço Maturi e fomos pra casa de Severino, nos arredores de Bonsucesso. 
O gado estava no curral e ele estava sentado do lado da cocheira, esperando.
- Quer um café ou beber alguma coisa ? Ele perguntou.
- Obrigado, respondi, quero olhar o gado.

Eram 27 reses, um boi manso, um touro, umas vacas paridas e um gado solteiro. Perguntei :- Quanto é o gado ?
- Dez milhões de cruzados.
- Ah! você queria só que eu viesse lhe visitar, né ?
- Bote preço, ele disse. 
Chico Bernardo pegou no meu braço e disse:- Vamos embora que aqui você não faz negócio, ele é sabido demais e eu sei que você não é besta.
- Eu vou botar sete milhôes, se ele topar eu vou arriscar.
Chico disse:- Agora você endoidou de vez, ou homi de coragem.

Voltei ao curral, examinei o gado, fiz o preço aproximado do dia e vi que a diferença era grande demais. Eu pensei "vou arriscar".
- Eu dou sete milhões no gado, é o preço de uma Fiorino nova. Apontei pra Fiorino da Fiat, que era o carro que eu estava.
- Tá pouco demais, ele gritou e deu uma risada.
- Então até logo meu amigo, foi um prazer lhe visitar, eu disse.
- Tenha calma homi, venha tomar um café. Bote mais um pouquinho que eu vendo, que eu sei que você é homem de negócio e de palavra.
- Vou tomar seu café, mais não dou mais nem um centavo, se quiser pegar na palavra, pegue, que eu não sei mais nem o que é que estou fazendo, falei pra ele.
- Pois então tá vendido, ele disse com cara de satisfação.
" Me lasquei" eu pensei na hora, mas sou um homem de negócio, seja o que Deus quiser.

Entreguei pra ele um cheque Azul da Caixa Econômica de Santa Cruz, tomamos o café e fomos embora. No dia seguinte logo cedo mandei o transporte pegar o gado. Severino entregou o gado e veio direto pra agência da Caixa, falar com Sérgio que era o gerente. 
-Sérgio, recebi esse checão do dr.Chagas Lourenço, para o dia primeiro de janeiro, posso ficar sossegado ?
- No dia primeiro não, porque é fechado, mas no dia dois, pode vir que, tendo dinheiro ou não, eu pago o cheque, respondeu Sérgio.
Ele botou o cheque no bolso e desceu para o mercado. Foi nos marchantes mostrou o cheque, deu uma risada e disse bem alto:
- Taí, um doutor, estudou no Rio em São Paulo e levou uma tabocada grande, mas é grande, do matuto véi lá de Bonsucesso.

Quando ia pra fazenda, passando na rua Paulo Afonso, ouvi um grito me chamando e parei pra ver quem era, era meu primo Quinca de La Paz, comerciante no Paraíso.
- Chagas meu fíi de Santa Rita, como é que você faz uma loucura dessas,homi ?
- O que foi que fiz quinca ? Perguntei.
- Hoje de manhã no mercado só se ouvia as risadas de Severino de Gustavo dizendo que deu uma tabocada num doutor, que estudou fora, um homem sabido e era você.
- Quinca, eu estou arriscando, mas eu estudei pra isso, com a crise que o Governo Collor está vivendo, a chance de a inflação aumentar é muito grande e se aumentar, como  imagino que vai, eu ganho dinheiro.
- É , eu não acredito não, mas você é quem sabe. Santa Rita lhe proteja, disse meu primo Quinca.

No final de Dezembro, eu já tinha providenciado o dinheiro para cobrir o cheque no início de janeiro, e estava na Malhada Grande quando chega Severino.
- Como vai Chagas, tudo bem, tá mangando do tempo né ? diz ele.
- Vou atravessando como todo agricultor dessa região, mas dá pra ir escapando. A que devo a honra da visita ?
- Eu trouxe o seu cheque pra trocar por aquela vaca preta mestiça do chifre curto, que é boa de leite, quero levar ela pra casa.
- Quanto me volta ? Perguntei.
- Mas homi, você me matou , o meu gado todinho num vale nem essa vaca ?
- Eu não lhe matei, até porque gosto muito de você, mas vamos dizer que você se suicidou no negócio, pra não se falar em taboca. Mas meu amigo, a vaca é uma das boas que tenho aqui e eu não quero me desfazer dela, me desculpe.

Severino dobrou o cheque botou no bolso, acelerou a moto e foi embora.
No dia dois de janeiro amanheceu na Caixa e logo cedo levou o dinheiro.

Chl
Maio/2018

sábado, janeiro 20, 2018

TOMADA DESLIGADA

O senador Geraldo Melo comprou um computador Plugtech, top de linha, o melhor produto da empresa. A compra foi feita diretamente ao proprietário da montadora , Francisco BARBOSA Mendonça, Novinho, que era muito amigo de Geraldo.
De manhã cedo,por volta de oito horas, Geraldo se dirigia para o seu escritório, que foi construído, no mesmo terreno, ao lado de sua casa na Rua Lima e Silva, em Natal. Quando estava na cidade o escritório era usado para seus trabalhos pessoais, reuniões e para receber amigos. Todos os dias ao chegar no escritório ele ligava o computador e passeava pela internet para ver o noticiário da grande imprensa do Brasil e do exterior e ver o que acontecia no estado através do noticiário da imprensa local.

Um certo dia ele entrou no escritório, Marluce Arruda, que era secretária, já estava lá com a agenda do dia. Após examinar a agenda , dirigiu-se para o computador, PLUGTECH, novo em folha e acionou o botão "power" para ligar, sentou e aguardou aquela iniciação que todo equipamento faz quando é ligado.
Esperou, esperou, nada, tudo preto.

Neste dia ele estava bem tranquilo, virou-se pra Marluce e falou:
- Marluce, ligue aí pra Novinho que o Top de Linha dele tá preto que é uma beleza e não aparece nada.
Marluce imediatamente localizou Barbosa através do celular e transferiu a ligação.
-Bom dia Senador, mande as ordens.
- Novinho, aquele seu computador deve ter amanhecido hoje com raiva de mim, porque eu liguei o bicho e ele tá preto de tudo, não aparece nada.
- Nem uma mensagem de erro, Senador ?
- Nada, sabe o que nada, é o que aparece nele, absolutamente, nada.
- Fique tranquilo, vou resolver isto imediatamente, se não resolver mando outro novo.

Barbosa desligou o telefone, pensou "meu computador se acuar logo na casa do Senador, que é exigente com o seu equipamento", imediatamente ligou pra fábrica em Macaíba e mandou chamar o supervisor de montagem, que era um argentino e entendia tudo de computador. Ordenou :
-Largue tudo que estiver fazendo e corra pra casa do Senador Geraldo Melo , pois o equipamento pifou e a tela tá toda preta. Resolva e me dê notícias, se não conseguir resolver entregue um equipamento novo e testado, pelo amor de Deus. 

O argentino entrou no carro com um computador novo, na caixa, e tocou pra Natal, o mais rápido que podia. Chegou na casa de Geraldo e foi direto para o escritório.
-Bom dia senador, o que houve ?
- Taí pode ver , você liga o botão e não aparece nada, tudo preto.
- Com licença Senador. 
Apertou o botão e nada.
- Vou verificar a máquina aqui atrás.
Abaixou-se, como que vai abrir o computador, pegou o fio e colocou na tomada.
-Tente agora Senador.
Geraldo ligou o "power" e a tela brilhou e começou a aparecer tudo.

O argentino com ar de técnico especializado, disse :-Quando o senhor vou usar o equipamento, antes de ligar o botão de "start", ligue a tomada da energia, senão não sai nada.
Geraldo deu uma risada, pediu desculpas e disse:- Acostumado com os outros aparelhos que estão sempre ligados, esqueci da tomada.

Ligou pra Novinho e deram boas risadas .

Chl
Jan/2018

quinta-feira, dezembro 08, 2016

ORDEM JUDICIAL


Zezé Profeta era o presidente da câmara municipal de Santa Cruz e resolveu fazer uma reforma grande no prédio do parlamento, porque, segundo ele, um dilúvio se aproximava.
Contratou Borrego para esvaziar e lavar a cisterna do prédio, Juvenal Pé de Copa , para trocar todas as bicas e seu Otilio para trocar todos o caibros e as telhas.
Toda a despesa, sem orçamento e que fatalmente iria estourar o teto.

Dr. Djanirito, juiz de direito da cidade, alertado pelo vereador Alexandre Calça Curta, que era da oposição, manda intimar Zezé, que prontamente se dirige para o cartório de Manoel Soares, que funcionava como Fórum, para esse tipo de questão.
-Sr. Presidente, começa o juiz, como o Sr. explica tamanho gasto na reforma da Câmara ?
- Dotô, diz Zezé, Deus falou comigo ontem de noite e me avisou pra tomar providências nos prédios públicos e na moradia das pessoas, que vem um dilúvio grande e não vai ficar um barreiro inteiro e as cisternas vão sangrar e muito telhado vai cair com as goteiras. Resolvi começar pela câmara municipal, onde quem manda sou eu.

O Juiz imediatamente determinou - Pare tudo, pra não sofrer as consequências.
Zezé levantou-se, saiu , e chegando na porta disse :- Pois se o Sr. quiser, mande essas consequências conversar comigo, no meu gabinete.
Disse isso e foi embora.
Meia hora depois, chega Zé de Lima, oficial de justiça, na Câmara Municipal, acompanhado do Sargento Pacheco , do Cabo Miguel e do Soldado Andorinha, com uma ordem para afastar Zezé da presidência.
Zezé convocou uma reunião rápida com os vereadores Geraldo de Tico , vice-presidente da casa e Manoel Macedo, Secretário da mesa e mandou dizer ao oficial que não ia assinar nada e que naquele momento estava indo para o seu sítio nos Tanques, cuidar do barreiro, pra não estourar.

Zé Pedro comunicou ao juiz, que imediatamente resolveu tomar uma providência mais séria, mandar prender Zezé, por desobedecer a uma ordem judicial. Antes porém, resolveu convocar uma reunião com um conselho de notáveis da cidade. Convocou, Zé Sobrinho, o prefeito, Padre Emerson, o pároco, Dr. Jonas, o causídico, Seo Horácio, como cidadão muito experiente, Professor Cosme Marques, seo Cocó e dona Carmen Andrade, representante das mulheres.

Depois de várias horas de reunião, chegou-se a seguinte conclusão, devidamente promulgada pelo juiz nos seguintes termos:

Senhores,

Analisando a situação e ouvindo os representantes da comunidade, concluímos que, sabendo que Zezé Profeta é meio fraco do juízo e visando o equilíbrio da situação grave que nos encontramos, decidimos que ele será afastado da linha sucessória do prefeito que, em caso de afastamento dele e do vice, João de Gan, assume a prefeitura o juiz de Direito da comarca.
Reconhecido e dado fé pelos tabeliães presentes.
E agora, corram pra casa que vai chover e é muito.

Chl
Dez/2016

sábado, dezembro 03, 2016

FORÇA CHAPE


A alma chora
Com a dor aguda
Do coração.
Um sentimento 
Maior que todos
Que une todos
A dor e a paixão 
O amor e a saudade
A essência 
Da raça humana
A razão da humanidade 
Solidariedade.
Força Chape.

Chl
Dez/2016

quarta-feira, novembro 30, 2016

MEDO DE AVIÃO

Diante do trágico acidente que vitimou o time da Chapecoense e vários jornalistas, na queda de um avião nos arredores de Medelim na Colômbia , no dia 29/11/2016, resolvi descrever o pânico que passei em uma viagem internacional que fiz 1983.

Havia participado de uma eleição em 1982, como candidato a prefeito de Santa Cruz , eleição geral no estado, para governador,senador,deputados federais e estaduais , prefeito e vereadores. Candidato pelo PMDB, perdemos a eleição em uma campanha longa e extenuante.
Para relaxar um pouco e sair do clima eleitoral que ainda persistia, resolvi fazer uma viagem para Miami, Cidade do México,voltando por Manaus, Fortaleza e Natal.

A partida em um Boeing 707 da Varig, que era o mesmo modelo do avião presidencial brasileiro, depois chamado de sucatão.
Saímos do Recife com uma escala em Belém, para reabastecimento e embarque de novos passageiros, a maioria, engenheiros americanos que trabalhavam com mineração na região norte.
Como não consigo dormir em viagem, fiquei lendo o máximo de tempo, mas a viagem foi tranquila e chegamos em Miami no início da manhã.

Depois de três dias nos EUA, fui ao aeroporto, para embarcar para a cidade do México. Fiquei em um hotel no centro da cidade. Após três dias , embarquei para o voo Cidade do México - Manaus, com escala em Bogotá, na Colômbia.
Aí, começou meu suplício.

Ao entra na aeronave, bem maior do que a anterior, sentei na janela e do meu lado, tinha uma imensa turbina que girava lentamente. Fiquei impressionado com o tamanho da turbina que estava sentado praticamente em cima dela.
Peguei a revista de bordo e constatei: eu estava embarcado em um DC-10 da Varig. Uma reportagem da Veja, sobre a queda de um DC-10, porque soltou uma peça do tamanho de uma caneta, tomou conta do meu pensamento e eu comecei a entrar em pânico, sem demonstrar. Não olhei mais para a turbina.

Decolamos e um pensamento constante começou a me assombrar : nunca mais vou ver meus filhos. Eram crianças entre três e dez anos.
Tentei ler, não consegui, quando abria o livro, enxergava a turbina se despregando. Fechei os olhos e tentei dormir, em vão, continuava vendo a maldita turbina. Afora o pânico, foi um voo tranquilo até Bogotá. Aí começou tudo de novo. Tivemos que desembarcar e aguardar uma hora e meia na sala de embarque do aeroporto, sem nenhuma explicação. Na minha cabeça logo vinha: é a peça que tá frouxa e eles vão apertar.

Cheguei em Manaus, era madrugada, o alívio era enorme, consegui olhar pela janela, enquanto o avião taxiava na pista e fixei o olhar em um avião da Vasp que estava estacionado com as turbinas cobertas por lonas azuis. Gravei aquilo na cabeça, sem nenhum motivo, mas gravei.
Fui para o hotel e por volta das nove horas da manhã, acordei e liguei a TV.
A notícia era que um avião de cargas da VASP, havia caído logo após a decolagem do aeroporto de Manaus. Era o avião que eu tinha visto na chegada.

Desci para o café no hotel e em seguida saí para procurar uma agência de viagens. Iria passar três dias em Manaus, mas remarquei minha passagem para o dia seguinte, na Transbrasil. Eu só pensava em chegar em casa e ver meus filhos.

No dia seguinte embarcamos pra Fortaleza,com uma escala em Belém, eu já estava no corredor,  queria distância de janela.
Quando pousamos em Belém que o avião parou na pista, avisaram que teríamos que desembarcar, por conta de um pequeno problema técnico, mas que logo, seguiríamos viagem.
Na saída do avião, escutei o comandante, um piloto jovem, dizer:- Isso só acontece aqui no norte, no sul, duvido que eles permitissem.
Pronto. O pânico voltou com força.

Passei duas horas no aeroporto de Belém com uma dúvida cruel:embarco ou não embarco; embarquei.
O voo foi tranquilo para Fortaleza, com uma escala em São Luiz, que eu nem sabia que havia, mas foi rápida e não precisei desembarcar.

Já em Fortaleza, no dia seguinte, procurei a Varig e antecipei em um dia minha volta pra Natal, sempre pensando, "um dia eu chego em casa".
No outro dia, cedinho, embarcamos em um avião novo da Varig, era o Airbus. Fiquei animado, avião novo, vigem rápida, seria um fim do meu suplício.
Sentei na poltrona e a aeromoça me trouxe o jornal O Povo de Fortaleza e eu comecei a ler. A notícia :
Ontem um avião da Transbrasil pousou de bico, sem o trem de pouso dianteiro abrir, no aeroporto de Belém. O número do voo era o mesmo que eu voei dois dias antes. "Pronto, é perseguição" pensei.
Em cinquenta minutos chegamos no aeroporto de Parnamirim e eu pude ver o sorriso e o brilho de alegria nos olhos dos meus filhos.

Imaginei nunca mais andar de avião, mas, as estatísticas me convenceram, o meio de transporte mais seguro do mundo é o aéreo.
Voltei a voar um ano depois, sem pânico, mas com receio. Entre 1998 e 2002, percorri todo o estado do RN, em aviões monomotores e bimotores, nas campanhas políticas.

Dois anos depois da minha viagem, 1985, houve um grande terremoto na cidade do México e derrubou o hotel que eu fiquei em 1983.
Ainda pensei em viajar pra Areia Branca e dar um mergulho numa daquelas montanhas de sal grosso, mas desisti.

Chl
Nov/2016




quinta-feira, novembro 24, 2016

RUA PRIMEIRO DE MAIO

Comecei a frequentar a rua primeiro de maio quando ainda era criança e acompanhava meu pai para a matança, que era o matadouro de bovinos, ovinos, caprinos e porcos.
Depois, continuei indo pesar bois que vendíamos, mas a maioria das vezes eu ia mesmo era pro cabaré, que é na mesma rua.
Instalados lá, estavam, Maria Gorda, Gonzaga, Micael, Chicó de Maria Anjo, além das avulsas que tinham suas próprias casas, como Cearense, Jucá, Eliene e outras.

Entre 1992 e 1996, comecei a trazer bois para vender em Santa Cruz e arredores, do estado do Tocantins, das cidades de Colinas e, principalmente, de Araguaína.
Vendia pra Elino e Pedro Duca, Francisquinho, Luiz Bino, Paulo de Irineu, Cícero Nazário, Abel, Fernando de Paizoca, Antônio do Açougue e outros. Eu pesava bois, praticamente todos os dias da semana no matadouro, e quando era gado da região, eu comprava com Chico Bernardo e depois com Erivan Nazario.

Encontrava sempre com Montila e sua mãe Isabel, que era irmã de Nazaré que morou muitos anos na casa de Tio Zé Dadá, com Celuta e Celusia, depois morou na nossa casa por muito tempo. Mamãe gostava muito de Isabel e a chamava de Mistral, por conta da colônia, que ela usava muito. Outra que prestou serviço nas duas casas, foi Das Neves, engomadeira, muito querida por todos nós.
Também encontrava sempre com Zé Romão, Raimundo Preto, Tricola, que moravam nas redondeza, além dos magarefes , Calango, Gô, Claudio, Birino e outros, que ajudavam na matança.

Os bois eram muitos fortes e espantados e quando chegavam no curral do matadouro, era um corre corre grande. Um dia, eu conversava com Manoel Pataca, que foi pesar um boi da Boa Vista e João Nazário que vendia carne no mercado e de repente entra um boi grande e arisco, João e Manoel Pataca, subiram numa bancada de cimento e ficaram de quatro e morrendo de medo, mas o boi, se engraçou com minha cara e partiu pra cima, eu corri pra entrada do matadouro que estava com o portão de ferro fechado, então subi nas barras e fiquei pendurado nos caibros. Começou juntar gente na frente e gritar, foi quando os magarefes começaram a jogar coisas no boi que virou-se e correu para o curral e na velocidade , saltou o muro do matadouro e caiu em cima de uma cerca de faxina da casa vizinha, que servia de proteção do quintal e ficou totalmente destruída.

Passado o susto, o boi havia corrido pelo rio e voltou pra fazenda, eu desci do portão e pra curar o medo, fiquei rindo com as caras assombradas de João Nazario, vermelho da cor de uma pimenta e Manoel Pataca, branco como uma tapioca.
Ficamos contando a presepada , rindo e mangando da cara um do outro, quando entra uma senhora, com seus 75 anos, braba , querendo saber quem era o dono do boi que destruiu a cerca dela. Era Jucá, uma das profissionais mais antigas e respeitadas do cabaré.

Apresentei-me, -Como vai Jucá ?
- Chaguinhas aquele santanás é seu ? Venha ver a desgraça que ele fez no muro da minha casa.
Coloquei a mão no ombro dela, sentindo que ela estava mais tranquila, sabendo que eu era o dono do boi. Realmente, o peso do boi, destruiu a cerca e na saída ele destruiu o resto com os chifres.
No dia seguinte mandei refazer toda a proteção do quintal dela , que ficou novinho em folha.

Duas semanas após, eu estava lá pesando os bois, quando entra Jucá e pede pra me chamarem , na entrada do matadouro.
Terminei de pesar um boi e fui lá, pensando, "o que será desta vez" ?
- Como vai minha amiga, algum problema ?
- Eu vim lhe agradecer pelo serviço do meu muro, ficou ótimo. E queria lhe dizer um negócio.
- Pois então diga, mulher, o que é ? Perguntei.
- É que você pode dizer ao santanás do seu boi, que se ele quiser pular em cima da minha casa, pode pular, só me avise a hora que é pra eu sair.
E arrematou: - Ela tá "distiorada" mesmo .

Chl
Nov/2016



sábado, outubro 08, 2016

DIA DO NORDESTINO

Nascido  na diversidade
Tempo ruim e tempo bom
Sua inteligência é um dom
Do campo pra universidade 
Abrilhantando a cidade
Vivendo ou enfrentando a morte
Sobrevivendo com sorte
Sua coragem é pungente
Valorizando ser gente
O nordestino é um forte.

Chl
Out/2016

sexta-feira, setembro 23, 2016

ENGOLE BRASA

Manoel Possidônio , conhecido como Manoel Engole Brasa, era um comerciante de jóias ambulante e garimpeiro . Andava nas ruas de Santa Cruz com uma pasta, com vários "panos de jóias". Trata-se de uma peça de veludo, geralmente azul, encrostada de jóias de ouro e brilhantes. Uma pasta de couro, larga, grande e sempre andava bastante pesada. Vivia bem, ganhava bastante dinheiro, o que lhe proporcionava uma vida bem estável com a sua família .
Manoel, entretanto, gostava de parar em um bar , quando terminava sua tarefa comercial, para tomar uma bebida. Os amigos e conhecidos, tomavam cervejas, conhaques, mas Engole Brasa, apreciava a aguardente. Tomava bem e com muita frequência, voltando, as vezes pra casa, meio embriagado.
Com o passar do tempo, Manoel aumentou sua frequência nos bares e diminuiu suas vendas de ouro. Sem se dar conta, aos poucos foi se tornando alcoólatra e a sua pasta a ficar vazia e muito maneira, até que chegou um dia e ele não tinha mais mercadoria.
Chegava pela manhã, logo cedo, no bar de Chagas Farias, com uma pasta recheada e pesada, que um dia os amigos resolveram abrir e em vez de ouro, tinha uma rede, para encher a pasta e um paralelepípedo, para ficar pesada.
Chegava tremendo, da bebida do dia anterior, estirava a mão trêmula sobre o balcão e pedia :
- Me dê uma brasa aí, que a tremedeira hoje tá com a "mulesta".
Depois de três "brasas" ele estendia as duas mãos sobre o balcão, olhava para as pessoas e dizia:
- Tão vendo, já parou de tremer e agora eu vou engolir outra brasa.
Foi daí que surgiu o apelido : Manoel Engole Brasa.
Antônio, era irmão de Manoel, garimpeiro também e resolveu um dia , abrir uma mercearia, com um bar, na Rua Caminha Fiúza.
Era baixo, sorridente, falava com a língua meio enrolada, mas era uma pessoa magnífica . Honesto, trabalhador e gente muito boa. Ele e o soldado Andorinha, foram as duas únicas pessoas que eu permiti garimpar na propriedade da nossa família , sem nunca conferir o resultado de suas pesquisas, porque confiava integralmente nos dois.
A rapaziada da cidade que gostava de tomar um banho no "Açude Novo", na volta entrava no bar de Antônio Engole Brasa, que mesmo sem beber, herdou o nome do irmão, e que todos passaram a chamar o "Bar do Brasa ".
Eu, Lourencinho, meu irmão, e mais, Serafim, Iaponam ,Livio, Crézio, Bubu, Joca Lindo, Edson Cara Curta, Zé Domingos, Antônio Luiz de Zé Dobico, Rosemilton, Dinarte de Pedro Severino, Félix de Zé João, Djair de Ivahy, Gilvan de Talau, Lila, Hiltinho , Wilson de Cabral, Mananciel, Hudson Fonsêca, Fabinho de Lula Farias, Geraldo Golinha, Fernando Bocão, Helio Mendes, Zezinho de Hosana, Roberto Umbelino e Munheca e vários outros companheiros de juventude.
A turma chegava sentava na mesa e começava a azucrinar o pobre do Brasa:
- Traga um litro de Pitú, duas coca-colas , três limões e uma corda de piaba pra tira gosto.
As cordas de piaba, ficavam no quintal , penduradas nos caibros e cobertas de moscas. O Brasa vinha com uma peixeira, batia na corda, as moscas voavam e ele cortava uma fieira de piabas, levava pra cozinha e jogava na frigideira, já com óleo fervente e fritava. Era bom demais, uma iguaria que eu acho que só ficava boa daquele jeito, por conta das moscas. Tinha também, curimatã, traíra, cará e galinha torrada.
Serafim andou por São Paulo um tempo e chegou cheio de novidades em Santa Cruz. Só não chegou chiando, porque os que eu conheci que foram pra São Paulo e voltaram chiando, eram Munheca e Tino de João Chicó, meu primo.
Fomos para o bar de Brasa e quando pedimos as bebidas, Serafim gritou:
- Brasa, traga um Pizza Calabresa e depois um Espaguete ao Sugo - comidas bastante comuns em São Paulo. Brasa gritou de lá :
- Hoje num tem esses troços aqui não, mas Sábado eu compro na feira. Hoje só tem a piabinha que você gostava muito antes de ir pro Sul.
Depois Antônio melhorou de vida e comprou o prédio onde era a fábrica do Molho Inharé e transformou em um hotel : Hotel do Brasa. Era o maior hotel da cidade.
Um belo dia , chega Iaponam com uma turma de Natal em três carros, com umas moças , para beber e farrear na cidade. Ele que morava em Brasília, quando chegou, soube que o Brasa estava com um hotel novo e dirigiu-se pra lá , pra tirar o juízo do coitado do Antônio. Chegou lá, foi entrando, viu o Brasa na recepção e foi gritando:
- Brasinha meu amigo, vim prestigiar seu hotel, estou com uns amigas e umas amigas e quero três apartamentos.
Brasa olhou pra Iaponam , fez uma arzinho de riso e meio gaguejando disse :
- Gordinho, o meu hotel é organizado e pra você se hospedar com seus amigos, têm duas condições.- Iaponam disse, não tem problema , eu resolvo, quais são as condições?
- Bem Gordinho , primeiro você me paga um vale que tem aqui, desde o tempo da Caminha Fiúza e depois me traga a certidão de casamento sua com essa moça, porque aqui é um hotel familiar. Se resolver, aqui estão as chaves.
Iaponam disse :
Vôtss, sendo assim eu vou me hospedar lá em Maria Anjo.
Chl
Set/2016

sábado, setembro 03, 2016

MORTES QUE MARCARAM A CIDADE

 Quero relatar alguns fatos, tristes, mas que marcaram a comunidade santacruzense.

Dudu de Plácido, era um rapaz feliz, brincalhão, mas também valente e esquentado. Jogador de futebol, atuava no campo 4 de Março, administrado por Anisio Carvalho.
Gostava de se divertir com os amigos e tomar uma cervejinha no reservado do bar de Geraldo Lourenço e Tia Litinha, que era na rua Grande e fazia esquina com o Beco de seo Plácido . Seo Plácido, era o pai de Dudu e tinha uma mercearia no beco, bem próximo do bar de Litinha.

Outro cliente do bar era Zé Pinto, que parava o caminhão na rua Grande e ia para o reservado do bar , que ficava na parte de trás. Um dia que Zé Pinto estava no bar , estavam sentados em uma mesa do lado, Dudu e Nilson Lima , tomando uma cerveja e batendo papo.

Sabendo que Dudu frequentava muito aquele local, pois era vizinho de sua casa, Coleta que teve desavenças anteriores com ele, entrou no bar, acompanhado com um amigo, chamado Zé Vicente, já com uma faca na mão. Dudu estava de costas , mas foi avisado por Nilson e levantou-se, já para enfrentá-lo, quando foi segurado por trás por Zé Vicente, Coleta  desferiu vários golpes de peixeira e ceifou a vida do jovem goleiro do time de Santa Cruz, Dudu.

Coleta ficou preso na cadeia pública da cidade, eu mesmo, ainda muito criança, o vi várias vezes, sentado na mureta da delegacia, quando passava na frente e papai dizia, " esse foi quem matou Dudu".

Manoel Benício, era um homem de estatura baixa, com um bigodinho e usava um chapéu preto de massa, geralmente estava calmo, era alegre e até sorridente. Eu o conheci já como prisioneiro na delegacia de Santa Cruz, em regime semi-aberto, trabalhava como pedreiro. Só foi terminar de cumprir a pena e ser liberado que Manoel Benício começou a ter problemas. Um dia cismou e saiu de casa, murmurando por onde passava:
-Hoje eu mato um.
Passou na frente do estabelecimento de Moisés Pinheiro, onde hoje é o mercado público, chegou na porta, encarou Moisés e repetiu: - Hoje eu mato um - Moisés abriu a gaveta, puxou um 38 cano longo e respondeu - Aqui você vai levar é chumbo, se vier com essa conversa.
Manoel saiu ligeiro de lá e tomou o rumo do Paraíso, atravessando o rio Trairi, que estava seco, correndo apenas um filete de água misturada com esgoto. No início da Av. 1, encontrou um baiano, que se dizia, pai de santo, trocou duas palavras e deu-lhe uma peixeirada certeza no coração e correu.

Tempos depois, já em regime de condicional, chegando perto de uma banca de carne na feira, iniciou uma discussão e antes que pudesse pegar a faca, o jovem marchante que já estava com uma faca amoladíssima de cortar a carne, foi mais rápido e acertou Manoel Benício, com várias cutiladas e o deixou estirado sem vida na calçada da feira.

Em outro dia de feira, na esquina da farmácia de Sebastião Rocha, Assis de João Salustio, desentendeu-se com Zé de Floriano e no meio da discussão, Assis sacou um revólver e disparou várias vezes em Zé que foi atingido e caiu na rua. Terezinha Nunes, filha de Zé Nunes e Liô Ferreira, vinha subindo  a rua Grande, na calçada,  assustada, caiu com um desmaio e ficou no chão. Assis ao ver Tetê no chão, imaginou que a tivesse acertado com um tiro , apavorado, apontou o revólver contra si e disparou. Tetê foi socorrida sem ferimento, apenas com um grande susto e na rua ficaram estendidos os corpos de dois rapazes, filhos de Santa Cruz.

Chl
Set/2016

domingo, agosto 28, 2016

A MISSA DE DOMINGO

Em Santa Cruz, a missa do domingo sempre foi tradicional, em dois horários, pela manhã, cedo, e no início da noite. Papai ia sempre pela manhã e nos levava, Jair, Lourencinho e eu. Íamos caminhando de casa até a igreja, mas no caminho, na rua Grande, ele entrava na Farmácia de tio Zé Dadá para conversar. Geralmente, encontrava por lá, Clovis Medeiros, Clodoval, Severino Paulino, Orlando Mouco, João Ataíde e Gastão. Na saída , invariavelmente, tio Zé Dadá, nos dava uma latinha de Pastilhas Valda e nós fazíamos a festa com ela.

Na missa da noite podia-se encontrar na calçada da igreja, Zé Matias, Irineu Duca, Pedro Nunes, Dula, Pedro de Tico, Joaquim Tavares, Joca Moreira, Chico Adriando, Chico de Juca, Edvaldo Umbelino, Mané da Viúva,Manoel Anisio, Sebastião Penha e mais alguns outros, moradores da rua Grande e da rua Daniel. Depois da missa, sentavam-se na calçada de Furtado, em frente da casa de Miguel Cury, Joseluce, Josias Azevedo, Antônio de Hosana,Miguel Farias, seo Quim Quim, Zé João, Sérvulo Orago e Dr. Demócrito.
Na outra esquina, do bar de Seo Lauro, em frente a barbearia de Pedro Dantas, ficavam, Severino Culête, Mosquitinho, seo Horácio, Pedro Amarante, Zé Walderi, Zé Dadão e João Lucas.

Um dos frequentadores da missa era Absalão, que morava na rua Ferreira Chaves, ao lado da casa de seo Gato e Chico Bento, e do outro lado, Alexandre Calça Curta e seo Aquino. Em frente, moravam Pedro Rodrigues, dona Mariinha de Zé de Gan ( minha avó) e seo Ribeiro.
Na igreja existiam uns bancos particulares, pertencentes a algumas famílias e também, cadeiras individuais, para sentar e se ajoelhar. Absalão tinha uma cadeira dessas na igreja.

João de Gan, ainda jovem, frequentava a missa da noite e depois ia para a praça, conversar com os amigos e olhar as moças. Gostava de passar na casa de Cleto Antunes, vizinha do bar de seo Lauro, pra ver se via Lenise. Sempre foi muito brincalhão e gostava de mexer com os amigos e dar boas risadas.

Um dia chegou na igreja e foi entrando na hora da missa. Viu Absalão, ajoelhado em sua cadeira, no meio da igreja, rezando com a cabeça abaixada, entre as mãos. João, foi se aproximando, silencioso, como estava toda a igreja, com Padre Emerson, fazendo a oração, falando baixinho. Chegou perto de Absalão e com os dois dedos indicadores, cutucou, com força, as costelas do coitado que rezava. Absalão, pego de surpresa, deixou escapar, sem querer, um pum tão alto que toda a igreja se virou pra ver o que era. Absalão continuou de cabeça baixa, rezando, e olhando com rabo do olho, para ver quem danado tinha feito aquilo. Os olhos de todos na igreja, só enxergavam João de Gan, que estava em pé, logo atrás de Absalão. Todos imaginavam que havia sido João, o autor do estrondo.

João, vermelho, da cor de um tomate, começou a andar de costas, passo a passo, até a porta da igreja. Sem falar com ninguém, desceu os batentes da calçada e saiu andando rápido, pelo beco das almas, passou pela praça e foi direto para o Bar Savoy, de Augusto Fernandes. Olhou pros fundos do bar e viu, Paizoca e Zé "Zanolho", jogando na sinuca de Chicó Flor. No bar, viu Zé Cabral, da padaria, sentado em uma mesa, tomando cerveja e comendo rodelas de pão com molho Inharé, fabricado em Santa Cruz. Puxou uma cadeira, sentou na mesa de Cabral e gritou:
-Assiiiss , traga uma cerveja bem gelada.
Virou-se pra Zé Cabral e falou:
Cabral, por favor, vamos mudar de assunto. - Cabral, sem entender, respondeu baixinho, - mas nós não começamos nem a conversar.
João pensava que a cidade toda já sabia, da explosão da igreja.

Chl
Ago/2016