sábado, janeiro 28, 2006

AVENTURAS DE PAULINHO A CORES - BAR DE FÁTIMA



Paulinho é uma figura muito conhecida em Natal, filho de Raimundo Barros , conhecido como Raimundo do cartório, Raimundo perna santa ou Raimundo lombo preto. Era tabelião do sexto cartório, situado no cantão das cocadas, assíduo freqüentador do Bar de Nazir, no Beco da Lama.


Paulinho que só estudou até a terceira série do primeiro grau (diz que não terminou o colégio, porque faltou tijolo), fez um acordo com o pai para que o apurado do cartório na sexta-feira ficasse pra ele. Depois desse dia, ele começou a trabalhar, foi a todos os clientes que gostavam de pagar na segunda, pra dizer que daria mais quatro dias de prazo, pois a partir daquela data só precisaria pagar na sexta.

Depois disso, já cheio de dinheiro no bolso, com a renda polpuda do cartório, arranjou uma namorada muito bonita, chamada Fátima. Rápidamente se apaixonou por ela, que além de bonita e carinhosa era muito experiente no assunto de sexo. Ora, Paulinho a cores (tem um olho cinza e outro verde), também conhecido por Paulinho Feio, ficou encantado com a namorada e resolveu fazer-lhe todos os gostos. Comprou uma casa na Redinha pra ela e instalou um bar na Bernardo Vieira esquina com Hermes da Fonseca, a Quinze. O bar era situado onde hoje é a passarela do “midueimól”.

Fátima que era filha de um soldado da polícia, morava com os pais na Redinha e trabalhava no bar, que tinha um balcão e mesas no térreo e uma mesa de sinuca no primeiro andar.

Antônio Mecânico que tinha uma oficina na quinze, só vivia no bar tomando cachaça e jogando sinuca. Saía pela bola cinco e terminava o jogo de uma tacada só. Com alguns mais afoitos, ele jogava só com uma mão,apostando, e nunca perdia. Só não conseguia ganhar de Paulinho. Quando iam jogar, o taco de Antônio espirrava, ele arriscava bolas fáceis e errava, então, Paulinho tranqüilo, proprietário do lugar, derrotava o mecânico.

Um belo dia depois de uma farra pesada, Paulinho foi pegar Fátima em casa as cinco horas da manhã. Quando chegou na casa dela acionou a buzina do “bugue”, um Selvagem zerado, acordando todo mundo. A mãe dela apareceu dizendo que Fátima havia ido para o bar receber umas bebidas. A côres extranhou: Receber bebida as cinco da manhã ? Mas, resignado foi ao encontro dela no bar.

Quando se aproximou do local, percebeu que o bar estava fechado, mas, como tinha uma cópia da chave resolveu dar uma olhada. Abriu a porta e no térreo estava tudo calmo , não tinha ninguém, foi quando ele escutou um gemido, que a princípio julgou que fossem dois cegos fumando, um passando o cigarro para o outro e se queimando : aiii, uiii, aiiii, uiii......
Resolveu subir à sala do sinuca para checar. Sacou o Taurus 38, niquelado, cano curto e começou a subir os degraus, de costas para livrar o flagrante. No meio da escada ele resolveu espreitar e viu as pernas de Fátima, ainda com a sandália japonesa nos pés, abertas apontando pro teto e no meio delas Antônio Mecânico, com as calças arriadas, saindo pela bola cinco. Foi o suficiente.

Paulinho saiu em disparada,resmungando : -Por isso, que eu nunca perdi no sinuca pra esse filho da puta.
Começou a gritar na frente do bar:- Quem quiser comprar uma casa barata na Redinha, ainda leva um bar de lambuja, com rapariga e tudo.


                  Frei Carmelo
                    Jan/2006

4 comentários:

Anônimo disse...

O bar ainda está a venda, caro Chagas?
Que maldade fizeram com Paulinho!

Dunga

Márcia disse...

um beijo grande daqui.

Ebson disse...

Meu caro Chagas, a tempos venho apreciando sua poesias, seus versos e etc, eu sei muito pouco sobre vc meu amigo, mais aprendi a te admirar, como um grande poeta e desejo tudo de bom pra vc.

Amigão nesta foto, quem é vc?

ebson-rn@bol.com.br

celso veiga disse...

Paulinho a Cores, grande figura! Conheci junto com Luzenildo Porpino. Saímos de bar em bar procurando as meninas disponíveis. Era um sábado e o comércio fechava ao meio dia. Tomei uma grande e acabei em Ponta Negra... Não me pergunte como! Rsrsrs