sexta-feira, março 31, 2006

CREPÚSCULO


A lua
como uma hipérbole
voltada para o infinito
no crepúsculo,
derramava sua luz
na caatinga.
O nordestino
enxada nas costas
corpo doído
esperança n'alma
volta ao lar.
O céu nublado
faz sinal de chuva,
engana !
A lavoura enfolhada
dá sinal de safra,
mente!
O sertanejo
com fome
espera
quase desespera
mas, continua esperando.
Com dez filhos
e a mulher
o amor
é ato contínuo.
Ato que é fato
obrigatório
instintivo
quase até,
animalesco.
No crepúsculo
uma dádiva de Deus
a lua em hipérbole,
cor de brasa,
dar de graça
o luar.
Chl

Jul/1978

2 comentários:

Márcia disse...

belo!
um beijo daqui.

Anônimo disse...

Excellent, love it! »