domingo, maio 26, 2013

VIDA


A brisa fria
do alvorecer
de outono
o chilrear
de passarinhos
o cansaço
do amor
ofegante
na cama
sentimento
de felicidade
depois
do prazer
abre os braços
para um novo dia
para a vida.

Chl
Maio/2013

domingo, maio 12, 2013

ALMOÇO NO DIA DAS MÃES


Hoje é um dia especial
De amor no coração
Festa, comemoração
Diferente do normal
Encontro muito legal
Todo mundo abraçar
Para rir se alegrar
Numa festa diferente
Que não tem a mãe presente
Vai com a sogra almoçar.

Chl
Maio/2013.

DIA DAS MÃES - 2013


Você me deu a vida
guiou meus primeiros passos
me ensinou a aprender
estendeu a mão para mim
sempre que precisei
acendeu a luz
dos meus olhos
adoçou a minha boca
me orientou para ouvir
me incentivou para falar
me alertou para calar
foi mãe, também
dos meus filhos
instalou em mim
uma saudade permanente
hoje
você me dá
inspiração.
Parabéns Mamãe.

Chl
Maio/2013

sexta-feira, maio 10, 2013

BOSQUE DOS NAMORADOS



I


Tem menestrel sedutor

Uma ruma de rufião
Véi querendo ser garanhão
E outro namorador
Um bocado de corretor
Deixando o parque quadrado
Tudo medido e contado
Pra ningúem adivinhar
Eu adoro caminhar
No Bosque dos Namorados

II

Italiano verdadeiro
Também tem falsificado
Tem médico e advogado
Professor e engenheiro
Tudo andando ligeiro
Caminhando lado a lado
Ninguém pára de falar
Eu adoro caminhar
No Bosque dos namorados.


III


No bosque tem as meninas
Que são poucas mas são boas
Faz o velho cantar loas
Tem grandes e pequeninas
Mas são elegantes e finas
Pra agradar aposentados
Ficam todos abobalhados
Com vontade de abraçar
Eu adoro caminhar
No Bosque dos Namorados



IV

Também tem comerciante

De coco, melão e jóia
A turma gosta e apóia
O comércio delirante
Tem até comediante
Todos muito engraçados
Tem versos puros e rimados
Pra galera apreciar
Eu adoro caminhar
No Bosque dos Namorados.


Chl
Maio/2013

quinta-feira, maio 09, 2013

FEIRA DE SANTA CRUZ

l
Tem ovelha,bode e ração
Borracha de baladeira
Tem corda e tem esteira
Tem arreio e tem gibão
Tem bicicleta e cambão
Tem tapioca e cuscuz
Tem tudo que me seduz
Até uma saudade danada
Tem tudo e não falta nada
Na feira de Santa Cruz.

II

Tem mingonga no mercado
Tem farinha e rapadura
Tem muita fruta e verdura
Tem carneiro e bode assado
Queijo na chapa passado
Tem coentro e tem mastruz
Crucifixo de Jesus
Carne de sol bem passada
Tem tudo e não falta nada
Na feira de Santa Cruz.

Chl
Maio/2013
I
Tem farinha e queijo frito
Batata com carne assada
Tem a fava com buchada
E a costela de cabrito
Tem cocada e pirulito
Curimatãs e pitus
Seriguela e cajus
Tem feijão e panelada
Tem tudo e não falta nada
Na feira de Santa Cruz.

II

Tem a banca de verdura
Manga,laranja e banana
Pão doce e caldo de cana
e garajau de rapadura
Carretel,linha de costura
Fitas de cetim azuis
Abajur e quebra-luz
Tem tapete e almofada
Tem tudo e não falta nada 
Na feira de Santa Cruz.

III

Tem mesa de fumo de rolo
Tem a banca da murrinha
O fiscal come uma beirinha
Pra tomar café com bolo
Tem o sabido e o tolo
No carro aberto o capuz
Vendendo coentro e mastruz
Pra político em caminhada
Tem tudo e não falta nada
Na feira de Santa Cruz.

Chl
Jun/2013


terça-feira, maio 07, 2013

DIA DO SILÊNCIO




Escreverei em silêncio
apenas hoje
sete de maio
dia do silêncio.
quantas coisas queria dizer
quantos gritos queria dar
contra os maus
os injustos
os corruptos
os párias da sociedade
queria gritar muito
pelos que não tem voz
pelos que a fome não deixa falar
pelos injustiçados
queria falar dando conselhos
para os pobres de espírito
para os preconceituosos
para os descrentes de tudo.
Hoje
vou respeitar o dia do silêncio
não vou falar
não vou gritar
vou apenas
escrever.

Chl
Mai/2013

sexta-feira, abril 26, 2013

MÚSICA RUIM


Brasil inculto e profano
Adora o que não presta
Música ruim é o que resta
Arte entrou pelo cano
Todo dia e todo o ano
Livro ruim está no prelo
Acabando o que é belo
Eu me revolto e não nego
E digo: ai se eu te pego
No teu camaro amarelo.

Chl
Abr/2013

quarta-feira, abril 24, 2013

RIBEIRA VIVA


Depende de se querer
Para poder transformar
É vontade de trabalhar
Pra Natal sobreviver
É um novo alvorecer
Que esta cidade cativa
Na sua beleza altiva
Guardada lá na memória
Pra resgatar a história
Queremos a RIBEIRA VIVA.

Chl
Abr/2013

PARA SALES FELIPE.

Da terra das baraúnas
Migrou lá do  sertão
Com muita convicção
Saiu do parque das dunas
Cantando com as craúnas
Ainda como aprendiz
Assobiando igual concriz
Com fama de pegador
Partiu como sedutor
E foi casar em Paris.

Chl
Abr/2013

quarta-feira, março 20, 2013

GLOSA

QUANDO DIGO, O BURRO MORREU
PODE QUEIMAR A CANGALHA

Acredite no que é seu
Como a palavra dada
Ela é dita e empenhada
QUANDO DIGO, O BURRO MORREU
O direito é todo meu
Até no fio da navalha
Falo sério, não sou canalha
Digo com convicção
Do fundo do coração
PODE QUEIMAR A CANGALHA

Chl
Mar/2013

GLOSA

VOU EMBORA PRO SERTÃO
PRA CHEIRAR BOSTA DE GADO

É questão de opinião
Fazer o que vou fazer
Pra achar meu bem querer
VOU EMBORA PRO SERTÃO
Essa é minha decisão
Eu falei e tá falado
Minha palavra é um tratado
Digo sem titubear
Já decidi, vou voltar
PRA CHEIRAR BOSTA DE GADO.

Chl
Mar/2013

sexta-feira, novembro 30, 2012

QUEM DERA

Quem dera
pudesse controlar 
os sonhos
quem dera
pudesse dominar
os sentimentos
quem dera
pudesse sanar
as dúvidas
quem dera
pudesse imperar
os pensamentos
quem dera
pudesse alforriar
a alma.

Chl
Dez/2012

sexta-feira, agosto 17, 2012

E O TEMPO LEVOU...

Tinha uma flor
no vaso
exuberante
viçosa
espinhos afiados
regada
quase sempre.

Sem regar
existe um caule
sem espinhos
uma flor
sem perfume
sem cor
esmaecida.

Agora
o tempo levou
deixou apenas
a lembrança.

Chl
Ago/2012



















quarta-feira, agosto 15, 2012

CAUSOS COM MIGUEL CURY I

Miguel Cury era um imigrante que aportou em Santa Cruz na primeira metade do século XX, mascate, comerciante,estabeleceu-se e constituiu família na cidade.
Casado com Ester Carvalho, teve os filhos: Jumar e João Marcondes e as filhas: Terezinha,Alda,Cacá,Margarida,Suraia(Helenita) Glaurea e Gésia.
Proprietário da fazenda São João no município de Campo Redondo, onde costumava passar as férias escolares de Junho/Julho, rodeado de netos.
Certa vez, estava seu Miguel sentado no alpendre e ao lado em uma rede estavam seu neto Néo, filho de Joseluce Medeiros e Cacá, deitado em uma rede com a namorada, ambos muito jovens e inexperientes, trocavam beijos e carícias.
Miguel Cury, olhou pra Néo e falou:
-Meu filho, tome cuidado, isto pode não dar certo.
Néo respondeu tranquilo "Tem rolo não vovô,tem rolo não.
Algum tempo depois, quando a namorada de Néo, atual esposa, apareceu grávida, foi a vez de Miguel Cury dizer:
-Rolo não teve não, mas rola teve muita.

sexta-feira, junho 29, 2012

ANÔNIMO NO DESERTO


Escreve e lê
como anônimo
em um deserto vasto
vazio
ou em espaço próprio
público
querendo
ver
abraçar
segurar
dizer
apenas vontades
vivendo
como vidas paralelas
de intensidades
virtuais
desejos
pensamentos
intenções
sentimentos
cibernéticos.

Chl
Jun/2012

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

LAVAGEM DO BECO DA LAMA



Estive no Beco da Lama. Fui rever o bar de Nasi, que costumava ir quando ele ainda era vivo. O carnaval já havia terminado. Apenas alguns remanescentes e bêbados ainda estavam por lá. Encostei no balcão, chamei a Galega (garçonete) e pedi uma meladinha com caldo de feijoada.


A Galega, ainda raivosa, contava que quebrou os dedos da mão de uma rival com a cara, que estava, a metade, de uma cor roxo/esverdeada. Ressentida, ela dizia que era uma mulher independente e que a única dona dela era a terra, pra onde iria quando morresse; enquanto que a outra dependia dos homens, pois vendia o corpo para sobreviver.



Pedi pra ela me atender numa mesa na calçada e, quando ia sentando, apareceu Neuza, que, segundo ela ,vinha do bar de Chico. Aproveitei pra perguntar onde era o bar de Nazaré, e ela apontou para um lugar, que eu achava que era onde se vendia as cestas de natal, mas já estava fechado.



- Você esteve aqui na lavagem do beco ? Perguntei.



- Não, cheguei já no final, mas encontrei um amigo que me relatou tudo.



- Então me conta, o que houve por aqui?



A Galega já falou que o presidente da SAMBA estava numa mesa com um grupo de participantes.



- Ela disse quem era que estava na mesa?



- Não.



Bom, eles estavam em Nazaré, mas como ela fecha no sábado às 5:00h, vieram para Nasi acompanhado a bandinha de frevo. Eram eles: Dunga, o presidente, Leonardo Sodré, que é diretor, e mais dois amigos, acho que Antoniel e Chagas, depois chegaram Alex, Hugo, Lenilton Paparazzi e, finalmente, Barba, com uma pilha de recortes, CDs e uns poemas, que, creio, sejam pornográficos.



- Galega, traga um conhaque, um caldo de dobradinha e uma carteira de cigarros Free, pediu Neuza, e continuou narrando.
Quem chegava na mesa, era abordado por Leonardo, pedindo para que não bebessem muito pra se preservar para o aniversário de sua irmã Simone, onde esperava por eles uma caixa de Johnny Walker Black. Foi quando Dunga lembrou que a festa ia até o dia amanhecer e que só iria se tivesse cerveja gelada. E muita.



Chegou um carro pipa e começou a lavar o Beco. Lenilton, pra se purificar, tirou a camisa e foi se lavar. Dunga tentou tirar a camisa pra se lavar, mas, vendo a saliência do bucho, desistiu e foi de camisa mesmo. Foi quando ouviu um grito de longe



- Dunga Bermudão!



Depois de purificado, o presidente resolveu discursar e lembrar figuras ilustres como Mainha e João Bolão, provocando lágrimas em Fábio, sobrinho de João e genro de Barba. Antoniel dançava ao som do frevo da bandinha. Hugo, depois da foto no Beco, não deu nem cabimento a Gardênia, arranjou outro, moreno magro, alto, com 70 anos bem vividos e dançaram lépidos e faceiros a tarde inteira. 



Chagas, tomando cerveja com queijo assado, dizendo que com esses tira-gostos vai ficar da largura de Plínio, que depois do veraneio tá parecendo o Rei Momo.



Plinio passou rapidamente. O estilingue puxou e ele sumiu.
Alex, não tem o que fazer, fica duvidando da minha existência, dizendo que sou virtual. Quero encontrar com ele na próxima troca de livros na casa do padre, pois sei que ele vai ganhar outra caixa de Viagra. Aí eu vou mostrar minha virtualidade.



Abimael, todo carnavalesco, dançava frevo numa mesa ao lado, quando apareceu um papangu irreconhecível. Ninguém tinha a menor idéia de quem poderia ser. Dançava e pulava levemente. 



Quando teve vontade de beber, levantou o capuz e deixou cair na camisa um monte de lêndeas e foi reconhecido : Eugênio 1/2 kilo.
Interrompi a conversa para pedir a conta, pois tinha um compromisso, e Neuza, gentilmente, falou.



- Vá. Essas contas pequenas eu pago. Há alguns anos, eu tomava um Ecstasy e ia bater na casa do aniversário, mas, com a porra da velhice chegando, vou tomar só mais uns cinco conhaques; amarrar um fininho e, se bater legal, vou bater lá na tal da cobertura.



Seja o que Deus quiser. Se eu passar mal, a festa é em frente ao São Lucas mesmo.



Frei Carmelo