segunda-feira, março 17, 2008

PERFUMES E FRASCOS


A corrente descia
levando cascalhos
a flor do riacho
murchou e caiu
o aroma restou.
Dizem os franceses:
Não importa o frasco
"J'adore le parfum".
O bom vinho
dispensa a garrafa
um bom malbec
perpetua o sabor.
Os retratos envelhecem
enodoam
embotam-se,
os sentimentos permanecem.
O álbum se rasgou
o cheiro ficou
mas a foto,
apagou.
Chl
Mar/2008

sexta-feira, março 14, 2008

DIA DA POESIA




Falo com desembaraço
sem mentira ou heresia
lá na praça ou no paço
mesmo em plena luz do dia
do teu peito ou do regaço
da tristeza ou da alegria
penso, reflito e faço
com destreza e maestria
com apoio e sem rechaço
com o som da melodia
viva o 14 de março
viva o dia da poesia


Chl
14/Mar/2004

segunda-feira, março 03, 2008

E-MAIL


Um e-mail
quando é,
estimulante
envolvente
gratificante,
dilato.
Quando é,
informativo
subliminar
implicante,
delato.
Quando é,
avisador
anunciante
definitivo,
deleto.
Chl
Fev/2008

domingo, março 02, 2008

PODER DE DECISÃO


O poder de decisão
está na cabeça
está na mão
vem da alma
ou do coração ?
O medo do futuro
perigo de errar
medo de ferir
receio de magoar
sem querer interferir
sem gosto pra namorar
vendo que tem que sair
louco para ficar
era isso.....
Olhar preso no horizonte
cabeça sem raciocinar
alma sorumbática
insistindo em lembrar
tristeza no olhar.
Garçom, por favor
traga a saideira
para ver se afogo
a saudade matadeira.
Chl
Mar/2008

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

MÃE AMIGA

Av.Eng.Roberto Freire


Mulher e mãe
do seu marido
sogra e mãe
de sua nora
mãe amiga
e mulher
dos seus filhos
mãe amiga
e amor
de sua filha
mãe amiga e até filha
de sua mãe
mãe amiga
filha enfermeira
de seu pai
minha mãe amiga
Lúcia Freire.
Chl
Nov/1978

terça-feira, fevereiro 26, 2008

FLOR


A planta estava lá
apenas reguei,
a flor,
já crescida
já cheirada
admirada
apreciada
não ganhada,
quis ser minha
e veio
e ficou
e é minha.
Continuará
sendo admirada
apreciada
regada
e minha,
eternamente,
minha.
Chl.
Fev/2008

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

O CHEIRO DO LENÇO


O suor do rosto
enxugou no lenço
que levou seu cheiro.
A lágrima na face
foi enxugada
e levou o lenço.
O rosto continua suando,
mas não sei,
se ainda existe lágrima.
O lenço está guardado
ensopado com suor
molhado com lágrima,
mas não sei,
se ainda tem cheiro.
Chl
Fev/2008

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

ESPINHO


Tudo em ti
era como a rosa
teu aroma
tua cor.
Atraíste-me
de ti gostei
te abracei
................
Um grito de dor
....................
Teu espinho
traspassou
meu coração.
Chl
Set/1968

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

CAMILO


Toca o telefone
as cinco horas da manhã
dia trê de agosto
o susto e a emoção
me levaram da cama
para o telefone.
Era homem
era meu filho
Camilo.
As lágrimas
explodiram no rosto,
a garganta
apertou de emoção
e pela priomeira vez,
ao nascer um filho,
eu chorei.
Chl
03/Ago/1979.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

CHAGAS JR.


Dentro de mim
algo incomoda
não sei se angústia
medo
raiva
decepção
ódio,amor
enfim,
não existe paz interior
mas,
interiormente
eu brigo por ela.
Na fresta da porta
olho para a rede
que se move
se mexe, se balança
dentro dela
dois olhos cinzas
quase castanhos
me fitam
com ansiedade
e eu me atiro
em seus braços.
O seu cheiro de criança
o seu soriso de filho
traziam para mim
ainda que por um instante,
a paz que eu precisava.
Eu sentia amor
interiormente
sentia paz
não sei se trazida
por tanto amor
ou pelo dever de ser pai.
Descobri
para mim mesmo:
"O sorriso de Junoca
me faz feliz".
Chl
Set/1978

sábado, fevereiro 09, 2008

BREVE,PERMANENTE


O canto do pássaro
é efêmero
mas, inesquecível
A beleza da flor
dura pouco
mas, fica na retina.
Seu perfume
é fugaz
mas, apodera-se do olfato
O amor
mesmo em colóquio breve
permanece no peito.
Chl
Fev/2008

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

MÚSICA NO AR

Música no ar
fios do teu cabelo
pelo chão.
Uma angústia boa,
saudades de ajoelhar-se
na missa matinal,
pela TV.
Lembranças da risada
desatada
do espelho no teto
corpos nus
e renda na "langerie",
da raiva passageira
quase fingida.
A chuva inunda o quarto
ou é água do ar condicionado
que ligado, avisa:
A felicidade voltou.
Chl
Jan/1993

UVA


Tenho o mar
a terra, o céu
as estrelas
Os filhos, meus tesouros
uma felicidade incompleta.
No semi-árido
na terra sêca
uma parreira agreste
uma uva virgem.
Na aparente acidez
a doçura do mel
o pedaço de felicidade
que faltava.
Chl
Jan/1993.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

BARCO À DERIVA


A amarra partiu
soltou a âncora
distanciou-se do cais.
No rádio
a luzinha vermelha
pisca,
como um tensiômetro
medindo batidas
do coração,
o microfone está mudo.
O tripulante
olha no horizonte,
consulta a bússola
procurando rumo,
vislumbra
a imensidão do mar
tentando encontrar
outro barco
perdido.
Chl
Jan/2008

sábado, janeiro 26, 2008

BANDA DA RIBEIRA


A banda tocava frevo
as pessoas dançavam
cantavam
bebiam
fumavam.
Através das espirais
da fumaça do charuto
eu espreitava:
Casais apaixonados
se beijando
Cabelos presos
incomodando
beijo na face
arrebatando.
Para cumprir a palavra
dei minha camisa da banda
e Fia saiu desfilando
compromentendo meu cheiro
pela adjacência do Beco.
Chl
 Jan/2008 



sexta-feira, janeiro 25, 2008

NOVOS BARES

Bar de Cristina.


Fui à Santa Cruz hoje, tratar de assuntos pessoais. Matuto é assim, quando chove, corre pro campo pra ver a lavoura nascer. As vezes demoro meses sem ir lá, com o advento da internet, pago ao vaqueiro com tranferência bancária; pois bem, quando passava no bairro Paulo Afonso(subestação da CHESF),vizinho ao Paraíso, deparei-me com " A Mansão do Forró", um galpão de 6x4m, com cobertura de zinco, já imaginou? O melhor, por trás desta casa, tem "O Consulado da Cerveja".... êita gôta serena, Santa Cruz tá abafando.
Havia encomendado um cabrito, ao vaqueiro, pra comer um churrasco, e fui encontrá-lo no matadouro, que fica na rua do cabaré.
Enquanto esperava, fui tomar uma cerveja no "Eskular Bar" (é o fraco), da minha querida Cristina, filha de Chica bucetinha, rapariga das mais antigas do cabaré de Santa Cruz, que tolerou muito minhas cachaças, quando adolescente, nas primeiras investidas do mundo do sexo.
Cristina me deu um longo e afetuoso abraço e falou:
- Sente-se, que vou colocar sua cerveja, preparar um tira-gosto e fazer uma surpresa.
- Que surpresa ? Perguntei surpreso.
- Um DVD de Waldick Soriano, especialmente pra você, porque sei que você gosta.
Arrasou.
Voltando pra Natal, pra encurtar caminho, afim de chegar logo e colocar o bode no freezer, peguei a estrada dos Guarapes e na altura do bairro Felipe Camarão, vislumbrei uma placa enorme na beira da estrada: BAR DA FAVA. Enchi a boca d'água, deu vontade de tomar "uma de cana", mas, se eu paro o danado do bode tinha ficado logo lá.
Aproveito para convidar os amigos, Léo, Dunga, Karl, Alex e quem mais se habilitar, para conhecermos o Bar da Fava de Felipe Camarão. Enviarei um e-mail para Mané Fava, avisando o dia e convidando-o, para estar presente. Levarei comigo, Paulinho à Côres e Afrânio Amorim.
                   Chl
                 Jan/2008

segunda-feira, janeiro 21, 2008

VOLTEI


O sorriso franco
braços abertos
calmaria,
estou de volta.
Descaminhos do amor
vielas da ilusão
floresta de sentimentos
felicidade total,
êxtase.
Pés no chão
cabeça a mil
eternas lembranças
saudades,
voltei.
Chl
Jan/2008

quarta-feira, janeiro 16, 2008

ESCRITA


Fim de madrugada
dia chegando
chuva no parabrisa
água escorrendo
desenhando palavras,
ilegíveis
interpretações erradas
agressões gratuitas,
sacanas.
A água escorrendo
pelo asfalto
carregando para o rio,
que irá levar para o mar
a desesperança,
o esquecimento
forçado
compulsório.
Chl
Jan/2008

terça-feira, janeiro 08, 2008

HOJE É TERÇA FEIRA


Hoje é terça
desejo programado
atropelado
quase esquecido
mesmo lembrado.
Frango ligth
enjoado
piscina sêca
mar chegando,
purê de abobrinha
coisa minha
com mostarda
e cervejinha.
Músicas gravadas
tocadas
lembradas
choradas.
Alma viva
peito aberto,
vida que segue
para outro dia.
Chl
Jan/2008

sexta-feira, janeiro 04, 2008

THE END ENFIM


Uma dor lancinante
cortando a carne
reprisando cenas,
definitivamente,
caminhando para o fim,
"the end" enfim.
As mesmas canções
repetidas
milhões de vezes
acalmando lembranças,
acentuando dores.
No ar
o som da voz
na boca
o sabor do beijo
nos olhos
o sorriso derradeiro
na alma
uma grande saudade.
Chl
Jan/2008