sexta-feira, agosto 15, 2008

SENTIDOS


Em meus olhos
tua imagem
meus ouvidos
tua voz
meus lábios
a doçura dos teus beijos
tua meiguice
em meu ser
teu amor
em meu coração
meus pensamentos
são teus
tua vida
em minh’alma.
Chl
Mar/1970

quinta-feira, agosto 14, 2008

CAPIBARIBE

Espreito da balaustrada
de um sobrado,
o leito do rio
margeado por prédios,
arranha-céus
casas coloniais
antigas igrejas.
Um homem e uma canoa
deslizam sobre as águas,
o calor o faz suar
mas, ele é forte
é Nordestino;
está pescando,
pescando pra viver
vendendo seu pescado
ao povo do
Recife.
Chl
Mar/1970

quinta-feira, agosto 07, 2008

TRISTEZA


Eu e minha tristeza
o luar se reflete na lama
um copo de bebida
um trago de saudade
o efeito da tristeza
é minha dor.
O amor é tão forte
que faz alegria
mata minha tristeza
aumenta minha dor.
Chl
Jan/1970

quarta-feira, agosto 06, 2008

DOIS COPOS

Dois copos
uma garrafa
um gole
uma lembrança
Um amor
que está longe
e a saudade
está comigo
Uma dor
está nascendo
a consciência
vai sumindo
estou ao léo
fora de mim
longe de ti
..................
mas eu te amo.
Chl
Ago/1968

terça-feira, agosto 05, 2008

FINGINDO

Tela de Valderedo


Fingindo que ama
brincando de amor
sofre
dizendo que sofre
falando de dor
ama
sofrendo de amor
amando o sofrer
morre.
Chl
Dez/1968


O TEMPO PASSA

O tempo passa
que desgraça,
a vida vai
nada me atrai
o amor vem,
eu vou também
o amor acaba
o coração se esmaga,
se eu morrer
sem nada fazer
neste país
que foi que fiz?
A vida é breve
ninguém se atreve
a viver mais.
Chl
Ago/1968

segunda-feira, agosto 04, 2008

ESPERO


Espero
aos poucos
desespero
esperando
desesperando
sofrendo
chorando
doendo
amando
sem ver
acreditando
confio
desconfiando
vivo
pensando
sem saber
talvez
...............
.................
nunca mais
Chl
Ago/1968

domingo, agosto 03, 2008

SOL DE AGOSTO

O sol aparece
brilhante
em agosto.
Água fria
serena
na piscina azul.
Vento veloz,
cobras no cio,
valentes no ninho.
Pássaros saltitantes
cantam
flores coloridas
vicejam.
Corações libertos
almas ansiosas
vislumbram a primavera.
Chl
Ago/2008

MONOTONIA

A bebida desperta o amor
a saudade logo vem
uma ternura sutil
de um coração delirando.
D’alma singela
floresce este amor
que a musica incentiva
o perfume identifica.
Uma dor bem aguda
nasce em meu ser,
o efeito sumiu
a música parou
o perfume acabou
Tudo enfim
é monotonia.
Chl
Nov/1969

domingo, julho 13, 2008

FLORES DE JULHO


Lá no céu
o firmamento
estrelas brilhantes
azuis
platinadas,
com os anjos vigilantes
no jardim da flor.
Na alma o sentimento
no coração o amor
no corpo o acalanto
Chl
Jul/2008

terça-feira, maio 13, 2008

TREZE DE MAIO

Di cavalcanti

Dia da libertação dos escravos
Negros !
Comemorado festivamente
Pelos escravos
Brancos !
Escravos de uma estrutura bélica
corroída pelas armas e munições
Terror !
Os escravos negros
Tinham feitores
grilhões e barriga cheia,
atualmente,
não existem feitores
nem grilhões,
apenas,
Escravos famintos !
Chl
Mai/1978

terça-feira, abril 22, 2008

LUA CHEIA


No céu
uma bola de fogo
a lua cheia.
Vislumbrei
procurando um olhar,
não vi.
Fechei os olhos,
sonhei,
vi uma árvore
grandiosa
tombar com o vento,
sem raízes.
No luar
lembrança distante
ocupada
consumida
conformada.
Chl
Abr/2008

quarta-feira, abril 09, 2008

LUA NOVA


Por entre as nuvens
uma luz tênue
a lua nova.
Aconchego no côncavo
rechaço no convexo.
Um olhar surpreso
quase assustado,
um sorriso aberto.
Vislumbro a lua
vejo o infinito
no meu olhar
o porvir.
Chl
Abr/2008

segunda-feira, abril 07, 2008

TRADIÇÃO DA MINHA TERRA




Santa cruz, minha terra
dos antigos coronéis
os bailes na prefeitura
dos autênticos menestréis

Feira da "rua grande"
a igreja em construção
os cegos pedindo esmola
rimam com um violão

É Natal e Ano Novo
e alegres carnavais
as festas de Santa Rita
tempos que não voltam mais

Santa Cruz das vaquejadas
das festas de São João
montaria em burro "brabo"
e cachaça com limão

As cheias do Trairi
a sêca de amargar
as promessas no cruzeiro
para o tempo melhorar

A pesca no Inharé
a caça na Samambaia
e as mocinhas bonitas
todas de mini saia

Estudar no grupo novo
desfilar no dia sete
levar puxão de orelha
respeitar dona Elizete

Terra cinquentenária
pra isso tem monumento
dos bailes e pastoris
lá no "rabo do jumento"

Santa Cruz é meu berço
meu lar e meu ardor
Santa Cruz é minha vida
Santa Cruz é meu amor.

Chl
Dez/1968.

SANTA CRUZ

Igreja Matriz de Santa Rita de Cássia

Meu berço
meu sonho
meu lar.
A música é tua estampa
diante dos meus olhos,
aí descobri o amor
vivi o amor
perdi o amor.
Uma estrela
longínqua, fictícia
em minha consciência
em meu ser.
És tu Santa Cruz
chama azul
que arderá eternamente
no fundo do meu
coração.
Chl
Mai/1968

sábado, abril 05, 2008

FIO SUAVE


Um fio suave
de música
fazia vibrar-me
os tímpanos;
em meu ser
delineava-se
a saudade.
Chl
Set/1969

sexta-feira, abril 04, 2008

AFONSO BOCA RICA

Casa de Afonso Boca Rica
Santa Cruz


Afonso Costa Soares, resolveu colocar um vistoso dente de ouro na boca o que lhe valeu o apelido para o resto da vida : Afonso Boca Rica.
Componente de uma família grande, "Os Costa", Afonso, casado com Ritinha com quem teve duas filhas, era um dos mais novos de uma série de 


irmãos, como Juvenal Costa, também chamado de Juvenal Pézinho, pois uma sequela de paralisia infantil, o deixou com um defeito no pé, que o fazia caminhar auxiliado por uma bengala, Bilo Costa, Zé Costa, chamado de Doutor Costa, Lindalva de Severino da Silva...etc.
Todos procedentes da zona rural de Santa 
Cruz, com pouca escolaridade, mas com muita 
inteligência, se tornaram comerciantes e 
proprietários rurais.
Afonso foi o primeiro a falecer acometido de uma insuficiência renal crônica, que o obrigou a fazer um transplante de rim, mas a rejeição ao orgão, o levou a óbito.
No dia do seu velório, Lindalva chorando muito, dizia :
- Meu Deus, porque levar Afonso que é o mais 
novo e não Juvenal que já tá véio e sambado ?

Juvenal deu um pinote, escorado na bengala e 
respondeu, " vai te danar Lindalva, deixe Deus escolher quem ele quiser".

Afonso era como um líder da família, viajado, foi algumas vezes à São Paulo, comprar carro pra vender na região.
Em uma das viagens, ele levou Piaca, que 
ficou deslumbrado com a viagem de avião e 
dizia que essa é que era a viagem boa, pois daqui pra São Paulo, não viu nenhum avião 
quebrado na oficina e de lá pra cá de carro, viu mais de trezentos jipes no prego nas oficinas.
Em São Paulo, foram ao Mappin, que era o magazine da moda na época, no centro da cidade, ao lado do viaduto do chá. Passearam pela loja de oito andares, olhando todo tipo 
de mercadoria, bonita e barata. Quando 
estavam saindo, na sobreloja, resolveram descer pela escada rolante, que era mais 
rápido e todo mundo estava usando. Piaca ficou meio cismado, mas resolveu encarar. Se segurando em Afonso e no corrimão, desceram. Do meio pro fim, ele viu que a escada desaparecia dentro do chão, aí ficou assombrado e faltando uns três degraus, Piaca, pulou com medo de ser engolido pela 
escada. Como era fim de ano, tinha uma árvore 
de Natal enfeitando o salão, no pé da escada e ele espatifou-se no chão agarrado com a 
árvore.

Afonso gostava de futebol e mandou fazer um campinho na fazenda pra jogar bola com os moradores e uma turma de Santa Cruz. No domingo era o melhor programa, a pelada no sítio dos Costa.


Tinha um tambor de duzentos litros, cheio 
d'água e um caneco, pra abastecer os jogadores e algum torcedor sedento.
Um dia numa partida acirrada, houve uma disputa de bola que terminou com um dos atletas com a perna quebrada. Imediatamente Afonso pegou o rapaz colocou dentro do carro 

e correu para o hospital na cidade. Quando o médico viu o desmantelo disse, "Afonso, que jogo violento é esse ? O rapaz está com a 
perna quebrada.
- Pro sinhô vê dotô, e num foi nem falta.

Em uma exposição em Natal, no Parque Aristófanes Fernandes, ninguém conseguia vender nada, porque estavam em plena seca e 
comprar gado era muito arriscado. Afonso, 
sempre muito otimista, andava de um lado pra outro tentando vender um curral de vacas .
Um sujeito passou e pileriou, "Ô seca da 
gôta, né Boca Rica" ?
- Pra mim tá atolando em todo canto, respondeu Afonso.
Dirigiu-se ao curral do vizinho e perguntou :
- Qual o preço das vacas ?
- Qual vaca, disse o vizinho de curral, 
escolha uma que digo o preço.
- Quero saber do curral todo.
Depois de ouvir o preço, Afonso disse: - Tá 
comprado.
Saiu pro Bandern, foi direto para a carteira rural, que o diretor era Sílvio Procópio e falou.
- Dotô Silvo, quero esse valor aqui emprestado que comprei um curral de gado.
- Meu amigo Afonso, quem é seu avalista ? 
Indagou Silvio procópio.
- Ora dotô Silvo, o avalista é o sinhô, tem avalista mió ?

Afonso comia de tudo, tinha uma vida agitada, pra cima e pra baixo, vendendo e comprando. Tudo isso foi trazendo um esmorecimento, uma fraqueza, sintomas de doença. Ele muito 
durão, não queria se entregar, mas um dia em Bom Jesus, encontrou-se com Dr. Gotardo 
Fonseca e Silva, médico urologista, fazendeiro, que gostava muito dele e comprava e vendia muita vaca a ele.
Quando ouviu as queixas de Afonso, pediu pra ele comparecer ao consultório no dia seguinte, para examiná-lo, pois achava que ele não estava bem.
Logo cedo Afonso chegou e foi o primeiro a ser atendido. Gotardo examinou e fez uma pergunta.
- Boca Rica, você sente alguma coisa ? Afonso respondeu em cima da bucha.
- Ao redor de mim, uma braça, dói em todo canto.
Foi essa doença que vitimou o grande Afonso Boca Rica.

Chl
Abr/2008

quinta-feira, abril 03, 2008

SONHO E POESIA


Tantos pensamentos
Tantos sonhos
quantas ilusões,
que dariam:
romances
dramas
comédias
e até sátiras.
Tudo passou
tudo transformou-se,
só restou
uma poesia.
Chl
Set/1969

quarta-feira, abril 02, 2008

ULTIMO BEIJO

Foi sinceramente
um doce beijo
que para ela
era o amor renascendo,
uma esperança feliz,
o orgulho da certeza,
um bálsamo eterno.
Para mim
bom, mas vulgar
beijo que selava
um final sem graça
do amor mal construído
que já nasceu morto.
Depois,
até amanhã
o amanhã para sempre.
Chl
Set/1968.

terça-feira, abril 01, 2008

ZÉ DE BRITO E MARIA DO AMPARO

Casa de Auta Pinheiro Bezerra
Praça Cel. Ezequiel Mergelino



Zé de Brito, casado com Maria do Amparo, morava na Praça Cel. Ezequiel, a praça principal de Santa Cruz. O casal tem uma filha Graça, casada com Neto, um agrônomo filho de Parelhas. Manoel Macedo de Oliveira, seu concunhado, contabilista, professor e proprietário da tipografia Santa Cruz, (que depois passou para Manoel Bernadino, que era seu auxiliar), era seu vizinho de frente.

A empregada da casa de Manoel Macedo, chama-se Rita Onofre, apelidada de Rita Oião, pois tinha os olhos esbugalhados e era considerada a mulher mais feia de Santa Cruz, menos para uma pessoa : Surrupei.
Surrupei era cabeceiro do armazém de Alfredo Praxedes e apaixonado por Rita, que esnobava o coitado e não dava nem cabimento à ele. No sábado, fim de feira, Surrupei enchia a cara de cana e ficava ruendo por Rita Oião.


Zé de Brito tinha um Jeep Willys na praça, que depois trocou por um Corcel que durou muitos anos, só não durou mais do que o Opala de Luiz Fernandes.

Muito querido na cidade, gostava do bate papo no Bar do Ponto, que ficava no centro da Praça e pertencia a Chico Aurélio, que ganhou esse apelido, depois que foi ser motorista de Zé Aurélio Guedes, empresário paraibano da construção civil, que morou uns tempos na cidade. Outro que ganhou o apelido de Chico MDB ou Chico de Iberê, foi Chico Pataca, que na mesma época começou a trabalhar com Iberê Ferreira de Souza, neto do Cel. Ezequiel, que foi Governador do Rio Grande do Norte.



Um belo dia, em meio ao animado bate papo, onde todos se divertiam com Zé de Brito, porque era gago, chega um cidadão filho de Santa Cruz, mas que morava há alguns anos no Rio de Janeiro, perguntou, chiando muito, a um dos frequentadores do bar.

- Amigo você conhece a Maria do Amparo, que é minha parente e mora aqui, que eu gostaria de visitá-la ? O senhor respondeu. - A casa dela é aquela ali, disse apontando pra rua, vizinha de seu Zé Nunes e dona Liô, mas, seu Zé de Brito, esposo dela está ali naquela mesa.O cidadão olhou para o bar e dirigiu-se para o grupo de motoristas da praça que conversavam numa mesa tomando cafezinho.
- Boa tardshi...cumprimentou a todos, chiando pra valer, e dirigindo-se pra Zé de Brito, perguntou :- Você é que é o Zé de Briito.
Zé olhou de banda desconfiado, porque conhecia o parente mais do que farinha e disparou, gaguejando.
- Tem ca...cara de eu ser....e..e...Maria do Amparo.

Chl
Abr/2008