sexta-feira, maio 20, 2011

REDOMA DE VIDA

É um sonho
um desejo forte
destruidor
querer assim
numa redoma
de vidro
de vida.

Como uma jóia
num cofre forte
como uma obra
de arte
emparedada
como uma essência
rara
em um frasco
como um gênio
na garrafa
para sempre.

Chl
Mai/2011

domingo, maio 15, 2011

PARABÉNS !

Meia ponto dois
mais um ano 
alcançado
muitos votos
parabéns
eu fico
lisonjeado
tanta manifestação
me alegra
o coração
lembrança
dos meus amigos
os mais novos
e os mais antigos
tudo me dá
alegria
felicidade
prazer
engrandece
meu dia a dia
minha razão
de viver.
Chl
Mai/2011

sábado, maio 14, 2011

SÃO PAULO

Madrugada fria
garoa fina
perene.
Rebusco
na paisagem
no casario
prédios
em profusão,
momentos
da juventude.
Aqui morei
aqui vivi
aqui chorei
aqui sorri,
nos pingos
da chuva fina
revivi
São Paulo.
Chl
Mai/2011

segunda-feira, maio 09, 2011

NICOLE E A POESIA

Lembrança da escola
quando inicei na poesia
escrevia até na sacola
e escrevia todo dia.

Hoje vi Nicole estudando
aprendendo o que é rimar
e eu aqui observando
com vontade de ensinar.

Pra dizer com sutileza
e numa rima atrevida
você é minha princesa
Nicole é minha vida.

Escrevi com devoção
quase voltei a ser criança
poesia é minha paixão
e Nicole minha esperança.
Chl
Mai/2011




quinta-feira, maio 05, 2011

LINHA TÊNUE

Uma linha tênue
de comunicação
transmite
falas
risos
sentimentos.
Transmite
pensamentos
desejos
angústias
saudades
paixão
amor.
Linha tênue
da vida
abstrata
virtual
no infinito
real.
Chl
Mai/2011

quarta-feira, maio 04, 2011

CONTATO

Mais uma madrugada
mais chuva
mais um desacerto
de contato.
Mais um dia
mais chuva
mais esperança
de acerto
contactado.
Chl
Mai/2011

sexta-feira, abril 29, 2011

DETINHO E AS GALINHAS

Detinho era morador da fazenda Santo Alberto na divisa dos municípios de Santa Cruz e Coronel Ezequiel. Casado com dona Ciça, que era quem administrava a casa e os negócios da família.
Dona Ciça sabia ler um pouco, assinava bem o nome e era capaz de escrever um bilhete curto, sabia fazer conta e organizar as poucas finanças da casa.
Detinho sabia fazer menino e trabalhar de enxada no roçado de algodão, milho e feijão; analfabeto, sequer conhecia dinheiro e tudo comprava no barracão na caderneta e dona Ciça pagava no dia da feira.

Eles criavam porcos e galinhas, para se alimentar e vender quando fosse necessário.
Umas das filhas do casal resolveu casar e dona Ciça começou os preparativos da festa e do enxoval da noiva.
Tinha na pocilga dois porcos gordos e no chiqueiro doze galinhas para apurar e comprar as coisas da festa.
Dona Ciça marcou o dia do marchante vir abater os porcos, que era dia de feira para ser vendido no mesmo dia. Não podendo ir à cidade levar as galinhas pra vender, pois tinha que ficar e acompanhar o abate dos porcos, ela resolveu mandar Detinho no caminhão da feira para vender os animais.

Fez a recomendação:
- Cada galinha é cinquenta reais, mas até por trinta você venda, que eu preciso do dinheiro para o casamento.
Detinho que não sabia o que era dinheiro, tanto fazia um valor como outro.
Subiu no caminhão com as doze galinhas e foi pra Santa Cruz.
Logo após cruzar a ponte na chegada da cidade, no início da rua Grande, era a feira das galinhas. Ele chegou, colocou as galinhas na calçada, amarrada pelos pés e ficou esperando comprador.
Logo apareceu o intermediário que compra para os restaurantes da capital, que servem galinha caipira, e perguntou:
- Quanto é a galinha seu Zé ?
- É cinquenta, respondeu Detinho.
- Faz quarenta, pra levar tudo ? Perguntou o comprador.
E Detinho, cheio de moral, realizando o primeiro negócio da sua vida, foi incisivo:
- Quarenta não, mas até por trinta eu vendo.
Vendeu tudo, mas dona Ciça passou seis meses sem falar com ele.
Chl
Abr/2011
  

domingo, abril 17, 2011

A PROMESSA DE PAULINHO A CÔRES


Paulo Eduardo Lustosa Cavalcanti, Paulinho a Côres, nasceu em Macaíba em 1953.
Guiomar, uma mocinha com apenas 17 anos, teve um romance com Heronildes Constantino, funcionário público municipal de Serra Caiada e ficou grávida. Acontece que Heronildes era casado e o caso não deveria se tornar público para não prejudicar a vida de ambos.
Uma moça saindo da adolescência, em uma cidade do interior, naquela época, ficar grávida de um homem casado, era um problema.
Quando aproximou-se a data da criança nascer, ela procurou a parteira de Macaíba, Marildes Lustosa Cavalcanti, espôsa do tabelião da cidade, Raimundo de Barros Cavalcanti. Contou-lhe toda a história, disse-lhe que não tinha condições de criar a criança e nem diria quem era o pai, para não prejudicar Heronildes, que era casado e tinha outra família; aí pediu ajuda a Marildes, que fez o parto e ficou com a criança para criar. Nasceu Paulinho a Côres.
Segundo o próprio Paulinho, na hora do parto, jogaram a criança fora e ficaram com a placenta que é ele; hoje tem o apelido de Paulinho Feio.
Em 2006, Paulinho já estava casado e era pai de família e proprietário de terra em Bom Jesus, por influência minha resolveu filiar-se a um partido e entrar para a política, candidatando-se a vereador.
Já em plena campanha, combinamos uma viagem para Santa Cruz, para tratar de assuntos políticos do nosso partido. Na saída de Bom Jesus ele me pediu para entrar em Serra Caiada , para visitar Guiomar, sua mãe biológica.
Fomos à casa de Guiomar que mora com a mãe, avó de Paulinho em Serra Caiada. Duas senhoras extremamente simpáticas e alegres, provando que genética existe e Paulinho herdou um pouco delas.
Tomamos café e conversamos bastante e na hora de sair, Guiomar levantou-se e disse :
- Meu filho, eu sei que você é candidato em Bom Jesus e eu tenho rezado todos os dias pela sua eleição. Tenho aqui um maço de velas e uma caixa de fósforo, para você acender nos pés de Nossa Senhora, naquela imagem da estrada na saída da cidade.
Paulinho pegou a caixa de velas e a caixa de fósforo, abraçou e beijou Guiomar e seguimos nossa viagem.
Quando nos aproximamos da imagem da Santa, que fica em um pequeno altar na margem da BR , fui diminuindo a velocidade para estacionar o carro para Paulinho poder pagar a promessa. Foi quando ele gritou perguntando:
- Vai parar pra que ?
- Você não vai pagar a promessa homem de Deus ? perguntei. 
Ele abriu o vidro do carro, colocou a mão pra fora, com as velas e o fósforo e me disse:
- Vamos embora, não pare não. Vou jogar as velas e o fósforo nos pés dela , ela que se vire.
Resultado, não tirou nem fino nas urnas.
Chl
Abr/2011.

ANÔNIMO

Chuva
caindo
gôtas de orvalho
nas folhas
rios
descendo
carregam coisas
anônimas.

Passando
fugindo
saindo
ficando longe
da vista.

Vão sentimentos
momentos
instantes puros
olhares maduros
esmaecendo
no tempo.
Chl
Abr/2011


sábado, abril 16, 2011

O GORDO IAPONAM

                           Iaponam    Chagas   Lourencinho    Serafim


Iaponam nasceu em Santa Cruz, filho de Benedito Batista e Dona Zéfinha da Padaria. Seu pai faleceu quando ele tinha apenas 1 ano de idade e ele foi criado,realmente, pela mãe.
Sempre foi gordinho,alegre e arengueiro; no grupo novo, onde estudava vivia criando confusão com os colegas, mas, por pouco tempo, depois vinha brincar, como se nada tivesse acontecido.
Na década de sessenta ele veio para Natal, estudar no Internato Maria Auxiliadôra, de Dona Isaura Arcoverde, na Rua Apodi, ao lado do Marista.
Na primeira noite no internato, ele fez tanta bagunça,jogando travesseiros nos outros meninos, que Dona Isaura passou a levá-lo pra dormir na casa dela, senão as crianças não dormiam no internato.
Passou no exame de admissão do Marista e foi ser interno lá. Nessa época eram internos também, Jola e Serafim de Santa Cruz, Bimbo(Leonardo Arruda),Lula(Luiz Eduardo Carneiro Costa)e Sérgio Porpino de Nova Cruz, Paraíba (João Máximo)de João Pessoa, Mestre Ivo, além de outros. E Marcílio Carrilho que era de Natal, mas seu Miguel Carrilho preferia que ele fosse interno.
Todo domingo Dona Lourdinha, mãe de Marcílio, levava o DKW,para ele passear.Depois de um mal resultado no boletim,ele foi proibido de dirigir e criou uma situação embaraçosa.
Subiu no telhado do colégio e anunciou que ia se jogar no pátio. Foi um corre corre,liga pra Dona Lourdinha pra liberar o carro e ele aos gritos em cima do telhado,ameaçando se jogar.
Nestas alturas o pátio do colégio já estava cheio de meninos e irmãos maristas,todos apavorados com aquela situação.
Ao lado do pau de "spiribol" ouve-se um grito:
Marcílio,Marcílio...todo mundo parou para ver o que era; Iaponam gritava:
-Marcílio,venha mais pro lado de cá.
-Pra que ? gritava Marcílio, lá de cima.
-Porque pulando aqui em cima do pau do "spiribol",você morre ligeiro e não fica aleijado nem sofrendo.
Marcílio começou a rir e desceu pondo fim a encenação do DKW.

O primeiro disco compacto que vi, foi em 1966,em Santa Cruz, nas mãos de Iaponam; era um disco de "The Animals".Ele sempre adorou música e até hoje é apaixonado por Renato e seus Blue Caps e a Turma da Jovem Guarda. Nas férias andava pela cidade com uma radiola portátil, emprestada de Salete, sua irmã.
Foi se aproximando a época de prestar vestibular e Iaponam anunciou que queria fazer medicina. Dona Zefinha vibrou e dizia:
- Ponam meu fíi é a fulô dos batista.
O gordo percebendo a dificuldade que era passar no vestibular de medicina, apelou pra Santa Rita de Cássia. Foi na casa da mãe dele e propõs, que ela fizesse uma promessa pra Santa, para poder passar nas provas. 
Ela topou na hora. Acontece que ele já tinha a promessa pronta, ela só teria que cumprir.
-Mamãe eu já fiz a promessa pra "sinhora" cumprir. E qual é meu fíi,perguntou dona Zefinha.
-É fácil. A "sinhora" tem que subir o morro do cruzeiro(Monte Carmelo,hoje alto de Santa Rita) rezando um têrço.
-É muito alto, mas, pra você ser "dotô" eu faço o sacrifício, disse a mãe dele.
-Mas é de joelhos mamãe.
-Vixe meu fíi, quer me matar? Vou levar uma semana pra subir,mas eu vou que Deus é grande.
Iaponam que era gordinho desde criança,estava pesando mais ou menos 120 kg. Disse pra ela:
-Mas é comigo nas costas minha mãezinha.
Ela olhou atravessado pro gordo, balançou um relojão que carregava no pulso e gritou:
- Vá matar o "diacho",você num vai ser dotô é nunca... 

terça-feira, abril 05, 2011

DESAMOR

O amor era tanto
que não podia durar
esvaiu-se
em dúvidas
decepções
brigas
enfim...
desamor.
Chl
Mar/1977

ESQUECER

Ah! esquecer
como é duro
deixar de lembrar
aquilo
que mais nos lembramos
tentar esquecer
o que sempre sonhamos
pensar em morrer
faz parte da vida.
Chl
Mar/1977

PALHAÇO DA VIDA

O som da bandinha
animava o circo
a multidão humilde
explodia em gargalhadas.
A vida
cheia de luxo
dinheiro
mulheres
e um profundo vazio
de cara pintada
o palhaço do circo
sem nenhuma pintura
o palhaço da vida.
Chl
Jun/1975


FILÉ NA BRASA

Uma noite comum
preta,pretinha
filé na brasa
chateau duvalier
emoção
risos
chôro.
O coração
batia forte
um sonho remoto
realidade brilhante
amor amigo
vida
pequeno mundo
viver por viver.
Chl
Ago/1977

FERNANDO LIRA

Era um fim de tarde
em São José
a colher do pedreiro
batia fria
sobre o tijolo branco
e fechava
em uma gaveta sepulcral
a razão 
de muitas lágrimas
vertidas de olhos
que há tempo
não choravam
e de corações
que batiam
indiferentes
sem vontade de bater
juntinho
ao choro uníssono
de despedida
dois sorrisos
de boas vindas
sorrisos
que talvez sejam
a causa
do desvio brusco
de um automóvel
numa estrada plana
segura,enfim...
achando talvez
que esposa , filhos
amigos
já haviam passado
tempo suficiente 
com ele.
Levaram
para junto de si
àquele
que sempre foi
velho companheiro
grande amigo
verdadeiro irmão
Jair,Tonho....
Fernando.
Chl
Jul/1975

TÚMULO ARDENTE

Sobre o túmulo ardente
a chuva fina cai
molhando a lápide fria
que acoberta
um corpo sem vida.
A natureza bela
contrasta
com a vida humana
finda
sobre o túmulo ardente
um pingo d'água desliza
e cai
a vida humana
tão importante quanto a chuva
tão passageira quanto o pingo
se finda
dentro de um túmulo ardente.
Chl
Set/1974

A PROSTITUTA

Arquivos de Ilustração - exótico. fotosearch 
- busca de imagens 
de vetor grã¡fico, 
desenhos, clip 
art, ilustraã§ãµes
Uma pobre mulher
prostituta
embriagada
falava do passado
quando se sentia
como gente
ou pessoa humana.
Bebia
com medo da noite
bebia mais
pra não ter pesadelos
procurava os homens
com medo da solidão
sua única herança
era a sepultura.
Chl
Mai/1974

BOA VIAGEM

A nuvem débil
esconde a lua
inibe o luar
de Boa Viagem
a chuva tangida
bate a janela
o amor palpita
no coração
uma música
distante
encanta o ouvido
o sono profundo
invade meu ser.
Chl
Mar/1973

PEDAÇO DA VIDA

Banco de Imagem - pedaço, vida. 
fotosearch - busca 
de fotos, imagens 
e clipart
Momento de luz
momento de fé
muita ansiedade
pouca certeza
esperança feliz
solidão intranquila
som de música
silêncio de trevas
barulho de gentes
saudade de pessoas
pequeno momento
pedaço da vida.
Chl
Set/1972

A GUERRA E A FLOR

Fotos da Primeira Guerra - Anemones
O corpo de um soldado morto
é o adubo da flor
o campo de batalha
é o jardim florido.
Nasceu uma criança
um botão de flor
inocente
cresceu com a brisa
alegrou um lar
embelezou um jardim
veio a adolescência
desabrochou sua pétalas
varado por uma bala
colhida do seu galho
plantada num campo de batalha
regada
com o sangue de um soldado.
Chl
Mai/1972