Acendiam-se os anúncios luminosos a tardinha ia morrendo na cidade do Recife. no 14°andar do Edifício Suape posso divisar inúmeros carros pequeninos enfileirados. O barulho constante das buzinas os gritos frenéticos das freadas e o colosso da Conde da Boa Vista apinhada de automóveis caracterizam um cortejo interminável. Nas cidades grandes a vida dos homens parecem cortejo infindável cujo escopo, vulgar e sem precedentes é a morte. Chl Mar/1971
Meu último poema eu o fiz em Novembro era final de 1970. As férias chegavam com elas uma felicidade traidora. Chegou dezembro era o final de 70 chegou meu irmão com a mesma felicidade que um dia partiu. Era dia de Natal a família,em festa era final de 70 a felicidade,traidora redimia-se dava lugar a angústia. Para meu irmão seu presente de Natal, a comemoração de sua chegada uma vaquejada seu esporte preferido. No seu cavalo alazão montou com galhardia correu e caiu morreu Jair. Era um poeta, morreu fazendo o que mais queria, nos seu poemas ele falava de rosas vestido de rosas foi para a eternidade. Chl Mar/1971
Ele te encontrou
na linguagem tímida
das iniciais
na simbologia
da comunicação
de sempre....
...................
Te encontrou
mas, não te viu
te enxergou
na mente,
na letra
da canção encomendada
no som
do bolero antigo
no desejo
do enigma eterno.
Chl
Mar/2009
Revirando rascunhos
de anotações antigas
amassando papéis
jogando na lixeira
tento interpretar
as músicas,
lembrando uma especial:
O último telefonema.
Como tinta fresca
de caneta antiga
tentando enxugar
com mata borrão.
Como uma gangorra
pra lá e pra cá
secando a tinta
que não desaparece
e ainda gruda
na haste
das lembranças eternas
e ficam escritas,
mais claras,
mais firmes,
no caderno da vida.
Chl
Dez/2008
O dedilhado macio
faz vibrar o pinho
do pequeno cavaquinho.
A música,
É verdadeira poesia,
“pedacinhos do céu”
são retratados
tão simples
tão belo
que faz a gente sentir
a dorzinha da saudade.
Chl
Abr/1971
Um pedaço de lua
uma meia lua
um quarto de lua
um belo luar
e uma lua de mel.
Todo amor ao luar
o perfume das flores,
seus lindos seios
beijei em sonho,
felicidade e doçura
era tudo,
lindo demais,
para ser realidade.
Chl
Out/1970
No ocaso
de agosto
limiar
de setembro,
decidiu
emancipar-se
escusas
(in)conscientes
grito de guerra
“independência ou morte”.
agora só falta
abolir
a própria escravidão.
Chl
Set/2008
Um negro “cocho
empregado do médico
andando “capenga”
vassoura na mão
veneno na outra
matando mosquito
dentro da poça.
O velho capenga
vai capengando
caduco ficando
vendo a vida passar.
Vê o mundo sem nada fazer
aceita tudo, sem nada dizer
o negro cocho morreu sem falar.
Chl
Set/1970
Subi na árvore
na goiabeira
fiquei perto do céu,
lá de cima
vi meu amor
estava linda
eu fitava
meu coração sorria
meus olhos vibravam
com aquela imagem,
eu estava feliz
era o meu amor;
colhi um fruta
e em suas mãos
entreguei, com a fruta,
a minha vida.
Chl
Mai/1970
Adeus infância
traquinas e bela
parto saudoso
lembrando de ti;
a adolescência
trouxe-me à maioridade.
Onde estás
grupo escolar
as brincadeiras de roda
minha petiz namorada
a florzinha que plantei
no meu pequeno jardim.
Onde estás
minha meninice?
Os vinte e um anos chegaram
sou um homem
de coração infantil
sou uma criança
com idade de homem.
Adeus infância querida
de saudosa memória
deixo a meninice
para arcar
com o peso da responsabilidade,
sou um homem !
Chl
Mai/1970
Uma alegria súbita
invadiu meu ser
minh’alma sorria
meu coração,
do seu âmago,
irradiava felicidade
é o amor.
Ansioso corri
fui ver a lua
que prateada,
sorria para mim,
corri, corri mais
tropecei numa flor
que com o impacto
chorou
e por vingança,
seu espinho
me feriu.
Fiquei triste
de remorso chorei
tomei a flor
nas mãos
e beijando-a
pedi perdão.....
.............................
Eu amo a rosa.
Chl
Abr/1970
Que
a sequência material
da vida
não seja
a óbice de
um sonho pueril
mas,
a afirmação plausível
de uma ocorrência
sublime............
“A união de dois seres
Que se amam”
Chl
Abr/1970
15 de maio
27 anos
um grande presente
pérola rara
minha pequena
Mona Lisa
raio de luz
no meio de trevas
rosa sublime
entre espinhos
um pouco de amor
n’um mundo de ódio.
Chl
Mai/1976
Eu adoro
todo dia
balançar na minha rede
com minha pequena
Alessandra
cantarolando
versos de Noel
assoviando
melodias de Ataulfo
e minha Alessandra
vai dormindo,vai dormindo
enquanto dorme
eu estou sonhando
cantando
pensando....
Chl
Jun/1973