quinta-feira, dezembro 13, 2007

CHUVA NO TELHADO


Não ouvi
o farfalhar da chuva
no telhado,
dormia profundamente.
Sequer ouvi
o alarme estridente.
Senti apenas
os pingos dos teus sentimentos
inundando
meu coração.
Chl
Dez/2007

sábado, dezembro 08, 2007

DORES


Noites insones
pensamentos vagueiam
dores liberadas
compressas geladas
pomada analgésica
gelo de erva doce.
Alívio momentâneo
lépido
dores contínuas
libertadas
sem cessar.
Chl
Dez/2007

sexta-feira, dezembro 07, 2007

SAUDADE BOA


A saudade boa
é quando existe esperança
de vida.
A saudade ruim
é a desesperança de se perder
pra morte.
Chl
Dez/2007

quinta-feira, dezembro 06, 2007

CONFLITO


A grandeza do homem
está no amor
na coragem de se doar,
as vezes, sacrificando sentimentos
ceifando momentos felizes
pela responsabilidade do futuro.
A fraqueza do homem
está no egoísmo
na insensatez de julgar
no desejo impuro de ofender
na insistência da incompreensão
no pecado da vingança.
Chl
Dez/2007

terça-feira, dezembro 04, 2007

ETERNO


Não se afobe não
que nada é pra já,
diz a música de Chico.
As abelhas continuam
fazendo mel
o sol e a lua
continuam no céu
os pássaros continuam
beijando as flores
que continuam
exalando perfumes.
A vida
é passageira,
o amor verdadeiro
é eterno.
Chl
Dez/2007

sexta-feira, novembro 30, 2007

HOMEM DE GELO


O homem chora
se fragiliza
se entrega
ri de felicidade
quando está com seu amor.
Aí aparece o cotidiano
as obrigações
os compromissos
o dia a dia
as desavenças.
O homem
se fecha
se enclausura
guarda os sentimentos no coração
e congela.
Chl
Nov/2007

CORRIDA

Partiu em velocidade
em alta velocidade
avançou sinais
fez curvas perigosas
deslizou na pista
acelerou
chegou ao êxtase
quase voou.
De repente
a freada brusca
a derrapagem
o câmbio quebrou
conseguiu sustentar
guiou pra garagem
parou.
Chl
Nov/2007

quarta-feira, novembro 28, 2007

CIÚME


A ira
aplaca,cerceia
pra proteger
o que se quer,
pra não perder
o que se tem.
O descontrole cega
reações impróprias
destroem
o que se queria
resguardar,
acaba se perdendo.
Chl.
Nov/2007

segunda-feira, novembro 26, 2007

FOTOSHOP


A fotografia foi esmaecendo
na gaveta digital
no álbun cibernético
no celular
no arquivo do computador
na pasta: fotos
Um dia, rebuscando
fazendo back up
escaneando
apareceu no visor.
Marcou em alta resolução
enquadrou
olhou mais uma vez,
a última:
DELETOU.
Chl.
Nov/2007

POR QUE ?


Por que partir
quando deve ficar
Por que não, sorrir
ao invés de chorar
Por que sofrer
quando se quer gozar
Por que se cala
quando deve falar.
No lugar da saudade
é melhor abraçar
No lugar da lembrança
é melhor se olhar
No lugar do adeus
é melhor se beijar.
Não vai esquecer
pois só quer se lembrar
Não vai ter rancor
pois só quer perdoar
Não quer tua vida
quer apenas te amar.
Chl
Nov/2007

VOANDO


Olhos fechados pros sonhos
entre as nuvens
pálpebras arriadas
vislumbrando um rumo:
- Estou sem rumo !
Lágrimas em silêncio
molhando a face
com um soluço que incomoda
arde por dentro
apertando o peito:
- Deixe quieta !
A saudade clama
por esta lembrança
é a certeza lúcida
do amor verdadeiro:
- Obrigado por tudo !
Chl.
Brasilia-Natal
Nov/2007

sábado, novembro 24, 2007

AMOR MADURO



Sonhei um dia
fazer um futuro
coração instável
quase inseguro
buscando luz
clareando escuro
saltando obstáculo
quebrando muro
em busca da paz
de um amor maduro.
Chl.
Brasília - Nov/2007

ESQUECIMENTO


Foi tão efemero
o que parecia eterno
sumiu da mente
sem emoção
o que parecia amor
foi uma ilusão.
Se apaga aos poucos
como caricatura
o sentimento intenso
era uma aventura.
O calor febril
só por um momento,
o que ficará "pra sempre"
é o esquecimento.

Chl
Brasilia - Nov/2007

terça-feira, novembro 20, 2007

A ROSA QUADRADA


No fundo do calabouço
No âmago da prisão
Entre estupros, torturas
Saudades, melancolia
Alienação,
Um profundo
Sentimento de liberdade.
No meio da luta
Pelos direitos,
Na busca
Das igualdades,
Uma grade de ferro
De onde se espreita
Ao longe, no campo
Uma rosa quadrada.
Um dia
A porta se abre
E a relva e o asfalto
Levam até a rosa
Que ainda está viva.
A grade quadrada
É a grande esperança
E a rosa viçosa
A própria vida.
Chl.
Abr/1980

AS UVAS


A colheita das uvas
matam a fome,
com a fruta
matam a sêde,
com o vinho.
A colheita de carinho
matam a fome,
com o desejo
matam a sêde,
com o amor.
Chl
Nov/2007

segunda-feira, novembro 19, 2007

DECISÃO


A armadilha do amor
exigiu a decisão
o êxtase profundo da alma
as agruras do coração
mas, quando do sonho acordou
prevaleceu a razão.
A garrafa está vazia
na mesa, apenas a rolha
as palavras surgem ao vento
voando como uma folha
aclarou-se, bateu na face
precipitando a escolha.
A língua torpe, afiada
a rebeldia de criança
apaga todas as juras
coisa bela, quase mansa
e o bandolim em agonia
não passa de uma lembrança.
Chl.
Nov/2007

sexta-feira, novembro 16, 2007

PROCLAMAÇÃO


A fumaça
em espirais
desenhava seu rosto.
No copo
a vodcka pura,
tinha sabor de vinho.
Beijos sequenciados
eram agora
uma lembrança.
Um último olhar
triste, de solslaio,
negro, distante.
Pela sua natureza
proclamava:
A queda da realeza
do amor
substituída
pela liberdade
de viver.
Chl
Nov/2007

quinta-feira, novembro 15, 2007

VIOLINOS MÁGICOS


Ilustração: Marcelus Bob



Teria me embalado
de sonhos de amor
se tivesse escutado
os violinos mágicos
antes de dormir.
Acordado
ouço agora
adormeço nos sonhos
me embalo
no teu amor.
Meu peito arde
meu coração aperta
minha alma chora,
de saudades de ti.
Chl.
Nov/2007

segunda-feira, novembro 12, 2007

OLHOS NEGROS


Olhos negros
umedecidos
por lágrimas,
fitam.
Nariz arfante
respirando,
ofegante.
Boca entreaberta
ainda molhada
do último beijo,
fala:
- Me deixe viver.
Chl.
Nov/2007



terça-feira, novembro 06, 2007

O QUADRO


Diego Rivera

Sete vezes eu te vi
Sete vezes te vivi
Sete vezes eu te curti
Sete vezes te falei
Sete vezes eu te menti
Sete vezes te chamei
Sete vezes eu te amei
Sete vezes te matei.
Chl
Jun/1978