Revirando rascunhos
de anotações antigas
amassando papéis
jogando na lixeira
tento interpretar
as músicas,
lembrando uma especial:
O último telefonema.
Como tinta fresca
de caneta antiga
tentando enxugar
com mata borrão.
Como uma gangorra
pra lá e pra cá
secando a tinta
que não desaparece
e ainda gruda
na haste
das lembranças eternas
e ficam escritas,
mais claras,
mais firmes,
no caderno da vida.
Chl
Dez/2008
O dedilhado macio
faz vibrar o pinho
do pequeno cavaquinho.
A música,
É verdadeira poesia,
“pedacinhos do céu”
são retratados
tão simples
tão belo
que faz a gente sentir
a dorzinha da saudade.
Chl
Abr/1971
Um pedaço de lua
uma meia lua
um quarto de lua
um belo luar
e uma lua de mel.
Todo amor ao luar
o perfume das flores,
seus lindos seios
beijei em sonho,
felicidade e doçura
era tudo,
lindo demais,
para ser realidade.
Chl
Out/1970
No ocaso
de agosto
limiar
de setembro,
decidiu
emancipar-se
escusas
(in)conscientes
grito de guerra
“independência ou morte”.
agora só falta
abolir
a própria escravidão.
Chl
Set/2008
Um negro “cocho
empregado do médico
andando “capenga”
vassoura na mão
veneno na outra
matando mosquito
dentro da poça.
O velho capenga
vai capengando
caduco ficando
vendo a vida passar.
Vê o mundo sem nada fazer
aceita tudo, sem nada dizer
o negro cocho morreu sem falar.
Chl
Set/1970
Subi na árvore
na goiabeira
fiquei perto do céu,
lá de cima
vi meu amor
estava linda
eu fitava
meu coração sorria
meus olhos vibravam
com aquela imagem,
eu estava feliz
era o meu amor;
colhi um fruta
e em suas mãos
entreguei, com a fruta,
a minha vida.
Chl
Mai/1970
Adeus infância
traquinas e bela
parto saudoso
lembrando de ti;
a adolescência
trouxe-me à maioridade.
Onde estás
grupo escolar
as brincadeiras de roda
minha petiz namorada
a florzinha que plantei
no meu pequeno jardim.
Onde estás
minha meninice?
Os vinte e um anos chegaram
sou um homem
de coração infantil
sou uma criança
com idade de homem.
Adeus infância querida
de saudosa memória
deixo a meninice
para arcar
com o peso da responsabilidade,
sou um homem !
Chl
Mai/1970
Uma alegria súbita
invadiu meu ser
minh’alma sorria
meu coração,
do seu âmago,
irradiava felicidade
é o amor.
Ansioso corri
fui ver a lua
que prateada,
sorria para mim,
corri, corri mais
tropecei numa flor
que com o impacto
chorou
e por vingança,
seu espinho
me feriu.
Fiquei triste
de remorso chorei
tomei a flor
nas mãos
e beijando-a
pedi perdão.....
.............................
Eu amo a rosa.
Chl
Abr/1970
Que
a sequência material
da vida
não seja
a óbice de
um sonho pueril
mas,
a afirmação plausível
de uma ocorrência
sublime............
“A união de dois seres
Que se amam”
Chl
Abr/1970
15 de maio
27 anos
um grande presente
pérola rara
minha pequena
Mona Lisa
raio de luz
no meio de trevas
rosa sublime
entre espinhos
um pouco de amor
n’um mundo de ódio.
Chl
Mai/1976
Eu adoro
todo dia
balançar na minha rede
com minha pequena
Alessandra
cantarolando
versos de Noel
assoviando
melodias de Ataulfo
e minha Alessandra
vai dormindo,vai dormindo
enquanto dorme
eu estou sonhando
cantando
pensando....
Chl
Jun/1973
Minha pequena Alessandra
a coisa mais pura
que já criei em toda minha vida
a coisa mais linda
que meus olhos já viram.
É o amor filial
que nasceu em meu peito
é o amor pueril
da minha pequena flor
da minha pequena filha
o amor puro
do meu coração.
Chl
Hoje
tudo são flores,
saudade e alegria
lágrima e tristeza
a música e o coração,
tudo são flores.
Neste dia
o compromisso
o desejo
e o amor,
tudo isso
fez nascer
uma linda rosa
que ofertei
ao meu coração:
Você.
Chl
Mar/1970
Se não existe amor
o tempo destrói
e a saudade morre
porém
se o amor existe
o tempo incrementa
e a saudade
destrói o coração
que entristece
perde o vigor,
que renasce
com força maior
o dia em que
encontrar seu amor.
Chl
Mar/1970
Em meus olhos
tua imagem
meus ouvidos
tua voz
meus lábios
a doçura dos teus beijos
tua meiguice
em meu ser
teu amor
em meu coração
meus pensamentos
são teus
tua vida
em minh’alma.
Espreito da balaustrada
de um sobrado,
o leito do rio
margeado por prédios,
arranha-céus
casas coloniais
antigas igrejas.
Um homem e uma canoa
deslizam sobre as águas,
o calor o faz suar
mas, ele é forte
é Nordestino;
está pescando,
pescando pra viver
vendendo seu pescado
ao povo do
Recife.
Chl
Mar/1970