domingo, maio 02, 2010

NEIDE SÁ.


Em um vinte e três de maio
pela primeira vez,
ela ganhou,
uma vida
e um nome:
Neide Sá.
Depois
ganhou um companheiro
uma família
cinco filhos
e uma boa vida.
O destino apareceu.
Levou seu companheiro
e a boa vida,
levou sua casa
seu sossego
e sua terra.
Veio o êxodo
e a incerteza,
levou sua juventude,
o trabalho e preocupação
levou sua alegria.
O tempo
implacável
levou sua saúde.
Em um primeiro de maio
a mão divina
a levou
e devolveu-lhe
a paz.
Chl
Mai/2010.

domingo, março 07, 2010

CANSEI


Cansei de sonhar
sonhos impossíveis
ainda assim,
continuo sonhando.
Cansei de viver
agruras do passado
ilusões no futuro
angústias no presente
mesmo assim,
continuo vivendo.
Cansei de cantar
canções tristes
que atiçam a dor
entretanto,
continuo cantando.
Cansei de trocar
o certo pelo duvidoso
o real pela incerteza
o amor pela paixão
Quero apenas
ser feliz
quero simplesmente:
Viver.
Chl
Mar/2010

sábado, janeiro 30, 2010

SINAIS


Dom Quixote
enfrenta moinhos de vento
gigantes
sempre ao lado do escudeiro fiel
Sancho.
Busca sinais
em suas alucinações.
Borboletas
esvoaçantes,
anjos sentados
como meninos,
como um corpo
de sonhos
iluminados
por estrelas azuis.
O cavaleiro
em seus delírios
leva Sancho
ao devaneio
como sinais
de sonhos
alucinados.
Chl
Jan/2010

MÚSICA NO AR ll


Como uma batida
na cabeça
Toc..toc..
lembranças
querendo fugir
o coração
não deixa.
A música no ar,
ressaca,
poema e inspiração
deixo escorrer
no papel.
Aqui estou.
Chl
Jan/2010

domingo, outubro 25, 2009

VINHO E UVA



Uma garrafa de vinho
complemento de uvas
verdes
pretas
saborosas
dvd de Roberto Carlos
lembranças da guarda,
jovem
continuando vivo,
na guarda
velha.
Quem me dera que a vida
fosse feita de ilusões
mas,
é preciso saber viver...
Mais uma taça
uvas bamboleantes
são emoções
até amanhã de manhã,
como é grande
o meu amor
por você.
Chl
Out/2009

quarta-feira, outubro 07, 2009

PALADAR VIRTUAL

Sabores
múltiplos
imeios
diversos
todo
amor
com
sabor
de
vinho
cenário
estampado
em
rótulo
doce
como
cereja
maduro
como
tempo.
Chl
Out/2009

sexta-feira, setembro 25, 2009

DIVAGANDO


Tentando
ver uma forma
divagando
sobre maneiras
busco um poema.
Rebuscando
passados
revivendo
passagens
vejo um recanto.
Palavras
vestidas
letras
em rascunhos
versos
em mim.
Chl
Set/2009

sábado, setembro 19, 2009

CONFISSÕES


Não posso ouvir
uma música
decente
Não posso ver
um olhar
contundente
Não posso sentir
um perfume
latente.
Nem posso olhar
malas vermelhas
na esteira do aeroporto.
Deixo-me transportar
pro máximo
desejo sempre
tudo
ou quase tudo
mas, fico.
Chl
Set/2009

quarta-feira, maio 06, 2009

ACENDENDO FAROIS

Alegria
momentânea
abateu-se
sobre mim.
Comunicação
longínqua
acende faróis,
tentando enxergar
distâncias.
Corpo vibra
exultando prazer,
alma sorri
sonhando amor
até cansar.
Chl
Mai/2009

quinta-feira, março 26, 2009

ENIGMA

Ele te encontrou
na linguagem tímida
das iniciais
na simbologia
da comunicação
de sempre....
...................
Te encontrou
mas, não te viu
te enxergou
na mente,
na letra
da canção encomendada
no som
do bolero antigo
no desejo
do enigma eterno.
Chl
Mar/2009

quarta-feira, março 11, 2009

FOTOGRAFIA

Foto de Hugo Macedo

A fotografia
É um poema calado
É um verso mostrado
Num instante clicado
De pura magia.
Chl.


Mar/2009

terça-feira, dezembro 23, 2008

MATA BORRÃO

Revirando rascunhos
de anotações antigas
amassando papéis
jogando na lixeira
tento interpretar
as músicas,
lembrando uma especial:
O último telefonema.
Como tinta fresca
de caneta antiga
tentando enxugar
com mata borrão.
Como uma gangorra
pra lá e pra cá
secando a tinta
que não desaparece
e ainda gruda
na haste
das lembranças eternas
e ficam escritas,
mais claras,
mais firmes,
no caderno da vida.
Chl
Dez/2008

sexta-feira, novembro 21, 2008

PEDACINHOS DO CÉU

O dedilhado macio
faz vibrar o pinho
do pequeno cavaquinho.
A música,
É verdadeira poesia,
“pedacinhos do céu”
são retratados
tão simples
tão belo
que faz a gente sentir
a dorzinha da saudade.
Chl
Abr/1971

quinta-feira, novembro 20, 2008

PEDAÇO DE LUA


Um pedaço de lua
uma meia lua
um quarto de lua
um belo luar
e uma lua de mel.
Todo amor ao luar
o perfume das flores,
seus lindos seios
beijei em sonho,
felicidade e doçura
era tudo,
lindo demais,
para ser realidade.
Chl
Out/1970

sábado, setembro 27, 2008

A AURA BRANCA


A aura branca
encobria
o deslizar da pena.
As palavras
fluíam,
com a leveza do ser,
-descreviam-
com vagar,
a angústia
do amor.
Chl
Set/2008

segunda-feira, setembro 08, 2008

QUANDO SETEMBRO VIER

No ocaso
de agosto
limiar
de setembro,
decidiu
emancipar-se
escusas
(in)conscientes
grito de guerra
“independência ou morte”.
agora só falta
abolir
a própria escravidão.
Chl
Set/2008


O ALEIJADO


Um negro “cocho
empregado do médico
andando “capenga”
vassoura na mão
veneno na outra
matando mosquito
dentro da poça.
O velho capenga
vai capengando
caduco ficando
vendo a vida passar.
Vê o mundo sem nada fazer
aceita tudo, sem nada dizer
o negro cocho morreu sem falar.
Chl
Set/1970

sábado, setembro 06, 2008

MAGIA


Não sei porque existe
tanta magia
inexplicável na carne,
que a mente
não consegue dominar.
A cabeça as vezes,
tenta se impor
inadvertidamente,
sem saber
que na realidade
o amor existe
nos dedos,
nas mãos,
nos olhos,
nos pés,
nos cabelos,
no sexo,
no simples olhar.
Chl.

Set/2008

sexta-feira, setembro 05, 2008

GOIABEIRA

Subi na árvore
na goiabeira
fiquei perto do céu,
lá de cima
vi meu amor
estava linda
eu fitava
meu coração sorria
meus olhos vibravam
com aquela imagem,
eu estava feliz
era o meu amor;
colhi um fruta
e em suas mãos
entreguei, com a fruta,
a minha vida.
Chl
Mai/1970


21 ANOS(15/05/1970)


Adeus infância
traquinas e bela
parto saudoso
lembrando de ti;
a adolescência
trouxe-me à maioridade.
Onde estás
grupo escolar
as brincadeiras de roda
minha petiz namorada
a florzinha que plantei
no meu pequeno jardim.
Onde estás
minha meninice?
Os vinte e um anos chegaram
sou um homem
de coração infantil
sou uma criança
com idade de homem.
Adeus infância querida
de saudosa memória
deixo a meninice
para arcar
com o peso da responsabilidade,
sou um homem !
Chl
Mai/1970

sábado, agosto 30, 2008

ALEGRIA SÚBITA


Uma alegria súbita
invadiu meu ser
minh’alma sorria
meu coração,
do seu âmago,
irradiava felicidade
é o amor.
Ansioso corri
fui ver a lua
que prateada,
sorria para mim,
corri, corri mais
tropecei numa flor
que com o impacto
chorou
e por vingança,
seu espinho
me feriu.
Fiquei triste
de remorso chorei
tomei a flor
nas mãos
e beijando-a
pedi perdão.....
.............................
Eu amo a rosa.
Chl
Abr/1970

quinta-feira, agosto 28, 2008

ÓBICE

Que
a sequência material
da vida
não seja
a óbice de
um sonho pueril
mas,
a afirmação plausível
de uma ocorrência
sublime............
“A união de dois seres
Que se amam”
Chl
Abr/1970

quarta-feira, agosto 27, 2008

A LUA E A ROSA

A lua e a rosa
o jardim e o luar
um raio de lua
uma pétala de rosa
um pouco de mim
e todo meu amor,
a minha vida
é um pouco de ti.
Chl
Abr/1970



segunda-feira, agosto 25, 2008

MONA LISA

15 de maio
27 anos
um grande presente
pérola rara
minha pequena
Mona Lisa
raio de luz
no meio de trevas
rosa sublime
entre espinhos
um pouco de amor
n’um mundo de ódio.
Chl
Mai/1976



ALESSANDRA II

Eu adoro
todo dia
balançar na minha rede
com minha pequena
Alessandra
cantarolando
versos de Noel
assoviando
melodias de Ataulfo
e minha Alessandra
vai dormindo,vai dormindo
enquanto dorme
eu estou sonhando
cantando
pensando....
Chl
Jun/1973

quarta-feira, agosto 20, 2008

MINHA PEQUENA ALESSANDRA


Minha pequena Alessandra
a coisa mais pura
que já criei em toda minha vida
a coisa mais linda
que meus olhos já viram.
É o amor filial
que nasceu em meu peito
é o amor pueril
da minha pequena flor
da minha pequena filha
o amor puro
do meu coração.
Chl

Ago/1973

segunda-feira, agosto 18, 2008

FLORES


Hoje
tudo são flores,
saudade e alegria
lágrima e tristeza
a música e o coração,
tudo são flores.
Neste dia
o compromisso
o desejo
e o amor,
tudo isso
fez nascer
uma linda rosa
que ofertei
ao meu coração:
Você.
Chl
Mar/1970

domingo, agosto 17, 2008

RENASCER


Se não existe amor
o tempo destrói
e a saudade morre
porém
se o amor existe
o tempo incrementa
e a saudade
destrói o coração
que entristece
perde o vigor,
que renasce
com força maior
o dia em que
encontrar seu amor.
Chl
Mar/1970

sexta-feira, agosto 15, 2008

SENTIDOS


Em meus olhos
tua imagem
meus ouvidos
tua voz
meus lábios
a doçura dos teus beijos
tua meiguice
em meu ser
teu amor
em meu coração
meus pensamentos
são teus
tua vida
em minh’alma.
Chl
Mar/1970

quinta-feira, agosto 14, 2008

CAPIBARIBE

Espreito da balaustrada
de um sobrado,
o leito do rio
margeado por prédios,
arranha-céus
casas coloniais
antigas igrejas.
Um homem e uma canoa
deslizam sobre as águas,
o calor o faz suar
mas, ele é forte
é Nordestino;
está pescando,
pescando pra viver
vendendo seu pescado
ao povo do
Recife.
Chl
Mar/1970

quinta-feira, agosto 07, 2008

TRISTEZA


Eu e minha tristeza
o luar se reflete na lama
um copo de bebida
um trago de saudade
o efeito da tristeza
é minha dor.
O amor é tão forte
que faz alegria
mata minha tristeza
aumenta minha dor.
Chl
Jan/1970

quarta-feira, agosto 06, 2008

DOIS COPOS

Dois copos
uma garrafa
um gole
uma lembrança
Um amor
que está longe
e a saudade
está comigo
Uma dor
está nascendo
a consciência
vai sumindo
estou ao léo
fora de mim
longe de ti
..................
mas eu te amo.
Chl
Ago/1968

terça-feira, agosto 05, 2008

FINGINDO

Tela de Valderedo


Fingindo que ama
brincando de amor
sofre
dizendo que sofre
falando de dor
ama
sofrendo de amor
amando o sofrer
morre.
Chl
Dez/1968


O TEMPO PASSA

O tempo passa
que desgraça,
a vida vai
nada me atrai
o amor vem,
eu vou também
o amor acaba
o coração se esmaga,
se eu morrer
sem nada fazer
neste país
que foi que fiz?
A vida é breve
ninguém se atreve
a viver mais.
Chl
Ago/1968

segunda-feira, agosto 04, 2008

ESPERO


Espero
aos poucos
desespero
esperando
desesperando
sofrendo
chorando
doendo
amando
sem ver
acreditando
confio
desconfiando
vivo
pensando
sem saber
talvez
...............
.................
nunca mais
Chl
Ago/1968

domingo, agosto 03, 2008

SOL DE AGOSTO

O sol aparece
brilhante
em agosto.
Água fria
serena
na piscina azul.
Vento veloz,
cobras no cio,
valentes no ninho.
Pássaros saltitantes
cantam
flores coloridas
vicejam.
Corações libertos
almas ansiosas
vislumbram a primavera.
Chl
Ago/2008

MONOTONIA

A bebida desperta o amor
a saudade logo vem
uma ternura sutil
de um coração delirando.
D’alma singela
floresce este amor
que a musica incentiva
o perfume identifica.
Uma dor bem aguda
nasce em meu ser,
o efeito sumiu
a música parou
o perfume acabou
Tudo enfim
é monotonia.
Chl
Nov/1969

domingo, julho 13, 2008

FLORES DE JULHO


Lá no céu
o firmamento
estrelas brilhantes
azuis
platinadas,
com os anjos vigilantes
no jardim da flor.
Na alma o sentimento
no coração o amor
no corpo o acalanto
Chl
Jul/2008

terça-feira, maio 13, 2008

TREZE DE MAIO

Di cavalcanti

Dia da libertação dos escravos
Negros !
Comemorado festivamente
Pelos escravos
Brancos !
Escravos de uma estrutura bélica
corroída pelas armas e munições
Terror !
Os escravos negros
Tinham feitores
grilhões e barriga cheia,
atualmente,
não existem feitores
nem grilhões,
apenas,
Escravos famintos !
Chl
Mai/1978

terça-feira, abril 22, 2008

LUA CHEIA


No céu
uma bola de fogo
a lua cheia.
Vislumbrei
procurando um olhar,
não vi.
Fechei os olhos,
sonhei,
vi uma árvore
grandiosa
tombar com o vento,
sem raízes.
No luar
lembrança distante
ocupada
consumida
conformada.
Chl
Abr/2008

quarta-feira, abril 09, 2008

LUA NOVA


Por entre as nuvens
uma luz tênue
a lua nova.
Aconchego no côncavo
rechaço no convexo.
Um olhar surpreso
quase assustado,
um sorriso aberto.
Vislumbro a lua
vejo o infinito
no meu olhar
o porvir.
Chl
Abr/2008

segunda-feira, abril 07, 2008

TRADIÇÃO DA MINHA TERRA




Santa cruz, minha terra
dos antigos coronéis
os bailes na prefeitura
dos autênticos menestréis

Feira da "rua grande"
a igreja em construção
os cegos pedindo esmola
rimam com um violão

É Natal e Ano Novo
e alegres carnavais
as festas de Santa Rita
tempos que não voltam mais

Santa Cruz das vaquejadas
das festas de São João
montaria em burro "brabo"
e cachaça com limão

As cheias do Trairi
a sêca de amargar
as promessas no cruzeiro
para o tempo melhorar

A pesca no Inharé
a caça na Samambaia
e as mocinhas bonitas
todas de mini saia

Estudar no grupo novo
desfilar no dia sete
levar puxão de orelha
respeitar dona Elizete

Terra cinquentenária
pra isso tem monumento
dos bailes e pastoris
lá no "rabo do jumento"

Santa Cruz é meu berço
meu lar e meu ardor
Santa Cruz é minha vida
Santa Cruz é meu amor.

Chl
Dez/1968.

SANTA CRUZ

Igreja Matriz de Santa Rita de Cássia

Meu berço
meu sonho
meu lar.
A música é tua estampa
diante dos meus olhos,
aí descobri o amor
vivi o amor
perdi o amor.
Uma estrela
longínqua, fictícia
em minha consciência
em meu ser.
És tu Santa Cruz
chama azul
que arderá eternamente
no fundo do meu
coração.
Chl
Mai/1968

sábado, abril 05, 2008

FIO SUAVE


Um fio suave
de música
fazia vibrar-me
os tímpanos;
em meu ser
delineava-se
a saudade.
Chl
Set/1969

sexta-feira, abril 04, 2008

AFONSO BOCA RICA

Casa de Afonso Boca Rica
Santa Cruz


Afonso Costa Soares, resolveu colocar um vistoso dente de ouro na boca o que lhe valeu o apelido para o resto da vida : Afonso Boca Rica.
Componente de uma família grande, "Os Costa", Afonso, casado com Ritinha com quem teve duas filhas, era um dos mais novos de uma série de 


irmãos, como Juvenal Costa, também chamado de Juvenal Pézinho, pois uma sequela de paralisia infantil, o deixou com um defeito no pé, que o fazia caminhar auxiliado por uma bengala, Bilo Costa, Zé Costa, chamado de Doutor Costa, Lindalva de Severino da Silva...etc.
Todos procedentes da zona rural de Santa 
Cruz, com pouca escolaridade, mas com muita 
inteligência, se tornaram comerciantes e 
proprietários rurais.
Afonso foi o primeiro a falecer acometido de uma insuficiência renal crônica, que o obrigou a fazer um transplante de rim, mas a rejeição ao orgão, o levou a óbito.
No dia do seu velório, Lindalva chorando muito, dizia :
- Meu Deus, porque levar Afonso que é o mais 
novo e não Juvenal que já tá véio e sambado ?

Juvenal deu um pinote, escorado na bengala e 
respondeu, " vai te danar Lindalva, deixe Deus escolher quem ele quiser".

Afonso era como um líder da família, viajado, foi algumas vezes à São Paulo, comprar carro pra vender na região.
Em uma das viagens, ele levou Piaca, que 
ficou deslumbrado com a viagem de avião e 
dizia que essa é que era a viagem boa, pois daqui pra São Paulo, não viu nenhum avião 
quebrado na oficina e de lá pra cá de carro, viu mais de trezentos jipes no prego nas oficinas.
Em São Paulo, foram ao Mappin, que era o magazine da moda na época, no centro da cidade, ao lado do viaduto do chá. Passearam pela loja de oito andares, olhando todo tipo 
de mercadoria, bonita e barata. Quando 
estavam saindo, na sobreloja, resolveram descer pela escada rolante, que era mais 
rápido e todo mundo estava usando. Piaca ficou meio cismado, mas resolveu encarar. Se segurando em Afonso e no corrimão, desceram. Do meio pro fim, ele viu que a escada desaparecia dentro do chão, aí ficou assombrado e faltando uns três degraus, Piaca, pulou com medo de ser engolido pela 
escada. Como era fim de ano, tinha uma árvore 
de Natal enfeitando o salão, no pé da escada e ele espatifou-se no chão agarrado com a 
árvore.

Afonso gostava de futebol e mandou fazer um campinho na fazenda pra jogar bola com os moradores e uma turma de Santa Cruz. No domingo era o melhor programa, a pelada no sítio dos Costa.


Tinha um tambor de duzentos litros, cheio 
d'água e um caneco, pra abastecer os jogadores e algum torcedor sedento.
Um dia numa partida acirrada, houve uma disputa de bola que terminou com um dos atletas com a perna quebrada. Imediatamente Afonso pegou o rapaz colocou dentro do carro 

e correu para o hospital na cidade. Quando o médico viu o desmantelo disse, "Afonso, que jogo violento é esse ? O rapaz está com a 
perna quebrada.
- Pro sinhô vê dotô, e num foi nem falta.

Em uma exposição em Natal, no Parque Aristófanes Fernandes, ninguém conseguia vender nada, porque estavam em plena seca e 
comprar gado era muito arriscado. Afonso, 
sempre muito otimista, andava de um lado pra outro tentando vender um curral de vacas .
Um sujeito passou e pileriou, "Ô seca da 
gôta, né Boca Rica" ?
- Pra mim tá atolando em todo canto, respondeu Afonso.
Dirigiu-se ao curral do vizinho e perguntou :
- Qual o preço das vacas ?
- Qual vaca, disse o vizinho de curral, 
escolha uma que digo o preço.
- Quero saber do curral todo.
Depois de ouvir o preço, Afonso disse: - Tá 
comprado.
Saiu pro Bandern, foi direto para a carteira rural, que o diretor era Sílvio Procópio e falou.
- Dotô Silvo, quero esse valor aqui emprestado que comprei um curral de gado.
- Meu amigo Afonso, quem é seu avalista ? 
Indagou Silvio procópio.
- Ora dotô Silvo, o avalista é o sinhô, tem avalista mió ?

Afonso comia de tudo, tinha uma vida agitada, pra cima e pra baixo, vendendo e comprando. Tudo isso foi trazendo um esmorecimento, uma fraqueza, sintomas de doença. Ele muito 
durão, não queria se entregar, mas um dia em Bom Jesus, encontrou-se com Dr. Gotardo 
Fonseca e Silva, médico urologista, fazendeiro, que gostava muito dele e comprava e vendia muita vaca a ele.
Quando ouviu as queixas de Afonso, pediu pra ele comparecer ao consultório no dia seguinte, para examiná-lo, pois achava que ele não estava bem.
Logo cedo Afonso chegou e foi o primeiro a ser atendido. Gotardo examinou e fez uma pergunta.
- Boca Rica, você sente alguma coisa ? Afonso respondeu em cima da bucha.
- Ao redor de mim, uma braça, dói em todo canto.
Foi essa doença que vitimou o grande Afonso Boca Rica.

Chl
Abr/2008

quinta-feira, abril 03, 2008

SONHO E POESIA


Tantos pensamentos
Tantos sonhos
quantas ilusões,
que dariam:
romances
dramas
comédias
e até sátiras.
Tudo passou
tudo transformou-se,
só restou
uma poesia.
Chl
Set/1969

quarta-feira, abril 02, 2008

ULTIMO BEIJO

Foi sinceramente
um doce beijo
que para ela
era o amor renascendo,
uma esperança feliz,
o orgulho da certeza,
um bálsamo eterno.
Para mim
bom, mas vulgar
beijo que selava
um final sem graça
do amor mal construído
que já nasceu morto.
Depois,
até amanhã
o amanhã para sempre.
Chl
Set/1968.

terça-feira, abril 01, 2008

ZÉ DE BRITO E MARIA DO AMPARO

Casa de Auta Pinheiro Bezerra
Praça Cel. Ezequiel Mergelino



Zé de Brito, casado com Maria do Amparo, morava na Praça Cel. Ezequiel, a praça principal de Santa Cruz. O casal tem uma filha Graça, casada com Neto, um agrônomo filho de Parelhas. Manoel Macedo de Oliveira, seu concunhado, contabilista, professor e proprietário da tipografia Santa Cruz, (que depois passou para Manoel Bernadino, que era seu auxiliar), era seu vizinho de frente.

A empregada da casa de Manoel Macedo, chama-se Rita Onofre, apelidada de Rita Oião, pois tinha os olhos esbugalhados e era considerada a mulher mais feia de Santa Cruz, menos para uma pessoa : Surrupei.
Surrupei era cabeceiro do armazém de Alfredo Praxedes e apaixonado por Rita, que esnobava o coitado e não dava nem cabimento à ele. No sábado, fim de feira, Surrupei enchia a cara de cana e ficava ruendo por Rita Oião.


Zé de Brito tinha um Jeep Willys na praça, que depois trocou por um Corcel que durou muitos anos, só não durou mais do que o Opala de Luiz Fernandes.

Muito querido na cidade, gostava do bate papo no Bar do Ponto, que ficava no centro da Praça e pertencia a Chico Aurélio, que ganhou esse apelido, depois que foi ser motorista de Zé Aurélio Guedes, empresário paraibano da construção civil, que morou uns tempos na cidade. Outro que ganhou o apelido de Chico MDB ou Chico de Iberê, foi Chico Pataca, que na mesma época começou a trabalhar com Iberê Ferreira de Souza, neto do Cel. Ezequiel, que foi Governador do Rio Grande do Norte.



Um belo dia, em meio ao animado bate papo, onde todos se divertiam com Zé de Brito, porque era gago, chega um cidadão filho de Santa Cruz, mas que morava há alguns anos no Rio de Janeiro, perguntou, chiando muito, a um dos frequentadores do bar.

- Amigo você conhece a Maria do Amparo, que é minha parente e mora aqui, que eu gostaria de visitá-la ? O senhor respondeu. - A casa dela é aquela ali, disse apontando pra rua, vizinha de seu Zé Nunes e dona Liô, mas, seu Zé de Brito, esposo dela está ali naquela mesa.O cidadão olhou para o bar e dirigiu-se para o grupo de motoristas da praça que conversavam numa mesa tomando cafezinho.
- Boa tardshi...cumprimentou a todos, chiando pra valer, e dirigindo-se pra Zé de Brito, perguntou :- Você é que é o Zé de Briito.
Zé olhou de banda desconfiado, porque conhecia o parente mais do que farinha e disparou, gaguejando.
- Tem ca...cara de eu ser....e..e...Maria do Amparo.

Chl
Abr/2008