sexta-feira, fevereiro 10, 2006

BOEMIA

Ilustração: Léo Sodré.

Se eu soubesse:
que deixando de ser boêmio
não morreria;
Confesso:
com certeza deixaria.
Como sei:
que mesmo sem ser boêmio
eu morreria;
Afirmo:
vou morrer na boemia.

Chl


Fev/2006

sábado, janeiro 28, 2006

AVENTURAS DE PAULINHO A CORES - BAR DE FÁTIMA



Paulinho é uma figura muito conhecida em Natal, filho de Raimundo Barros , conhecido como Raimundo do cartório, Raimundo perna santa ou Raimundo lombo preto. Era tabelião do sexto cartório, situado no cantão das cocadas, assíduo freqüentador do Bar de Nazir, no Beco da Lama.


Paulinho que só estudou até a terceira série do primeiro grau (diz que não terminou o colégio, porque faltou tijolo), fez um acordo com o pai para que o apurado do cartório na sexta-feira ficasse pra ele. Depois desse dia, ele começou a trabalhar, foi a todos os clientes que gostavam de pagar na segunda, pra dizer que daria mais quatro dias de prazo, pois a partir daquela data só precisaria pagar na sexta.

Depois disso, já cheio de dinheiro no bolso, com a renda polpuda do cartório, arranjou uma namorada muito bonita, chamada Fátima. Rápidamente se apaixonou por ela, que além de bonita e carinhosa era muito experiente no assunto de sexo. Ora, Paulinho a cores (tem um olho cinza e outro verde), também conhecido por Paulinho Feio, ficou encantado com a namorada e resolveu fazer-lhe todos os gostos. Comprou uma casa na Redinha pra ela e instalou um bar na Bernardo Vieira esquina com Hermes da Fonseca, a Quinze. O bar era situado onde hoje é a passarela do “midueimól”.

Fátima que era filha de um soldado da polícia, morava com os pais na Redinha e trabalhava no bar, que tinha um balcão e mesas no térreo e uma mesa de sinuca no primeiro andar.

Antônio Mecânico que tinha uma oficina na quinze, só vivia no bar tomando cachaça e jogando sinuca. Saía pela bola cinco e terminava o jogo de uma tacada só. Com alguns mais afoitos, ele jogava só com uma mão,apostando, e nunca perdia. Só não conseguia ganhar de Paulinho. Quando iam jogar, o taco de Antônio espirrava, ele arriscava bolas fáceis e errava, então, Paulinho tranqüilo, proprietário do lugar, derrotava o mecânico.

Um belo dia depois de uma farra pesada, Paulinho foi pegar Fátima em casa as cinco horas da manhã. Quando chegou na casa dela acionou a buzina do “bugue”, um Selvagem zerado, acordando todo mundo. A mãe dela apareceu dizendo que Fátima havia ido para o bar receber umas bebidas. A côres extranhou: Receber bebida as cinco da manhã ? Mas, resignado foi ao encontro dela no bar.

Quando se aproximou do local, percebeu que o bar estava fechado, mas, como tinha uma cópia da chave resolveu dar uma olhada. Abriu a porta e no térreo estava tudo calmo , não tinha ninguém, foi quando ele escutou um gemido, que a princípio julgou que fossem dois cegos fumando, um passando o cigarro para o outro e se queimando : aiii, uiii, aiiii, uiii......
Resolveu subir à sala do sinuca para checar. Sacou o Taurus 38, niquelado, cano curto e começou a subir os degraus, de costas para livrar o flagrante. No meio da escada ele resolveu espreitar e viu as pernas de Fátima, ainda com a sandália japonesa nos pés, abertas apontando pro teto e no meio delas Antônio Mecânico, com as calças arriadas, saindo pela bola cinco. Foi o suficiente.

Paulinho saiu em disparada,resmungando : -Por isso, que eu nunca perdi no sinuca pra esse filho da puta.
Começou a gritar na frente do bar:- Quem quiser comprar uma casa barata na Redinha, ainda leva um bar de lambuja, com rapariga e tudo.


                  Frei Carmelo
                    Jan/2006

sábado, dezembro 24, 2005

FELIZ NATAL


Acabei de te ouvir
sentí em tua voz
cansaço e dúvidas,
talvez saudade,
quem sabe amor.
Vou esquecer as mágoas
vou esquecer os males
vou viver em paz
vou viver de amor.
Feliz Natal.
Chl
Dez/1985

domingo, novembro 20, 2005

INSPIRAÇÃO

Ilustração: Fábio Eduardo

Onde estás inspiração
te ofuscastes n'algum outro sentimento
o amor, talvez
ou na angústia da espera?
Do frenesi
da doce agonia
que envolve o corpo
até a morte,
que me faz
divagar.
Divagar
como música
como felicidade
como tudo que é bom.
Chl

Abr/1978

segunda-feira, novembro 14, 2005

ACORDAR

Ilustração: Tarsila do Amaral

AH!
Como é bom sonhar
um sonho bom,
feliz.
AH
Como é ruim acordar
para uma realidade,
triste.
Chl
Fev/1979

sábado, novembro 05, 2005

O DIAMANTE


A chuva batia no telhado
caía sobre a planta
que cultivas
a flor que eu ganhei
ainda não murchou
mas, se você disser que pode.....
sob o telhado
o presente é um futuro,
arquitetado no passado.
no inconsciente
lapidar um diamante
gera desamor,
os termos técnicos nos aproximam
e o diamante adormece
sobre meu peito
na frescura do ar condicionado
Chl
Mar/1978

segunda-feira, outubro 31, 2005

FRUTOS DO MAR

Puerto Mont - Chile

Na tarde fria
o cheiro forte
o mar do pacífico
nos Andes, no Chile
na costa de lá.

A barraca de feira
no lago, na beira
na beira do mar.
A brisa serena
o frio danado
em Puerto Mont
aprecio calado
os frutos do mar.
Chl

Set/1979

terça-feira, outubro 25, 2005

A PARTIDA


Numa manhã de sábado
tuas lágriamas,
partiam meu coração
teu andar
leve, macio
dizia adeus,
era despedida.
Em meus olhos
a lembrança
do teu sorriso,
em meu peito
a ternura
do teu amor
em minh'alma
doía o teu sofrer.
Chl
Mar/1977

sábado, outubro 22, 2005

DAVID E GOLIAS

David e Golias (Caravagio)

NA DÚVIDA DO SIM OU NÃO
DAVID REIOU GOLIAS


Pense numa confusão
que está acontecendo
esse tal de referendo
na dúvida do sim ou não.
É um dia de tensão!

Muitas festas, estrepolias
muitas farras e orgias
e o povo todo confuso
vai entrar em parafuso
-David reiou Golias.
Chl
Out/2005

domingo, outubro 16, 2005

A GRUTA

Ilustração Hugo Macedo


O negro da noite
envolve as pedras,
o claro da lua
está pra chegar.
Na água parada
na relva macia,
projeta-se a luz
da gruta sagrada.
Chl
Set/1978

domingo, outubro 09, 2005

MADRUGADA

Foto: Hugo Macedo

É madrugada
a brisa fria
sopra de cheio
sobre a relva:
É primavera.
O cheiro bom
da flor do mato
a relva fria
orvalhada
anuncia:
A manhã
O canto do rouxinol
vem com ela
e canta mais,
no seu ninho
a relva orvalhada:
Diz que é primavera.
Chl
Set/1978

quarta-feira, setembro 28, 2005

EMERGÊNCIA


Manda chuva meu Jesus
qu'é prá muiar
meu sertão
pra nos livrar
da emergência
e da grande sequidão.
Passou de Janeiro a Março
e a chuva não chegou
o povo e o gado com sêde
e as cacimba secou.
Míio plantado cêdo
antes de palmo muchô
o feijão já fulorando
c'um sol quente esturricô.
Os home já tão faminto
e cheios de precisão
o governo aperreado
procurando solução.
O gado cum fome e sêde
tão trilhando os caminho
os home faz as coivara
para ir queimando espinho.
Quando a catingueira desfóia
o pereiro fica pelado
quando mameleiro mucha
o mundo tá desmantelado.
E assim tá meu Nordeste
nesta divina opção
na Bahia muita lama
e aqui só tem torrão.
O povo já tá faminto
saqueando os armazém
furtando por precisão
enquanto a chuva não vem.
O governo mal começado
com um projeto que o diabo
colocou em sua mão,
dá cumê a muita gente
com tanto papel, ôxente
eu acho que não dá não.
Nordestino tá cansado
de vê o tempo passado
sem conseguir seu desejo,
agora nessa emergência
porque não se bota urgência
e se implanta o sertanejo?
Um projetão danado
c'um tanto dinheiro gastado
sem se ver a solução
só dá emprego a dotô
para gastar em papel
e passagem de avião.
O Nordeste no inverno
é sol quente céu azul
e os problemas daqui,
ficam sendo resolvidos,
nos gabinetes do Sul.
Dê recurso e autonomia
aos nossos guvernador
prá vê se algum dia
pelo menos "ameidia"
se vê cheia a "vazia"
do pobre do agricultor.
Jesus te peço de novo
manda chuva com urgência
pra vê se acaba de vez
com o blefe da emergência.
Chl.
Abr/1979

domingo, setembro 25, 2005

O BATIQUE

Candido Portinari -1944

Na parede da sala
um mural de dor
pai,mãe, filho
o cachorro e um burro
a mala vazia
e a fome:
Retirantes.
O homem
magricela
faminto
doentio,
é tão forte
que anda,
sua sombra
se confunde
com um mandacarú
com os espinhos
espetados em sua língua.
A mulher
trapos no corpo
molambos na cabeça
leva em suas entranhas
duas coisas típicas,
do nordestino pobre:
A fome
e uma criança.
A dor e o amor
unidos na miséria.
A criança
se confunde com o burro
e é puxado pelo cachorro,
no peito,
a alegria dos alienados
nos lábios,
o sorriso da ignorância
no andar,
a conformação dos oprimidos.
Os traços negros
mostram o sol ardente
na parede da sala
no batique de dor.
Chl

Ago/1978

sábado, setembro 17, 2005

O MEDO

Ilustração Orf

A luzinha acendeu
a porta se abriu
eu entrei.
Mil olhos
me olhavam
mil gentes
acotovelavam-se
junto a mim,
dentro do elevador.
O medo
estampado
em meu rosto
no fundo
dos meus olhos,
a debilidade física
a ressaca moral
o calor
da segunda-feira.
Eu temia
eu tremia,
o medo
que ali ruisse
a fortaleza
do meu eu,
o medo
que ali cessasse
o prazer
de ser forte.
Interiormente
a vida é uma balela
a estrutura física
é frágil
a mente
é débil.
Mesmo assim
tudo vai subindo,
de repente
pára,
a porta se abre
e eu saio.
Chl
Ago/1979

quarta-feira, setembro 14, 2005

O LOUCO


As palavras do louco
ecoavam na Dr. Barata
"Vocês querem um mundo melhor"?
"Vocês querem um mundo pior"?
"Vocês acham que sou espírita,
ateu,não tenho pátria"?
Fui andando sem resposta.
Não sei se é um louco
ou um bêbado
não sei se queremos
um mundo melhor
ou pior.
Nem sei se sou espírita
ou ateu,
Talvez, esta seja a minha pátria
...............................................
...............................................
Também não sei ...............
Chl.
Ago/1979

domingo, setembro 11, 2005

TRABALHADOR DE ESTRADA


O sol se pondo
com raios frios
em agonia,
a lua no crepúsculo
se enche de fantasia
e a noite quer começar.
Na estrada
a margem estúpida
insiste em se sujar
e o homem, bóia-fria
está ali para limpar.
Na barraca de lona
as redes estão armadas
de lá para cá
de cá para lá.
Os homens de capacete
e roupas iguais,
cor de laranja
já desbotadas,
sentados nas pedras
sentados no chão,
esperam à beira do fogo
que esquente o feijão.
É feijão e farinha
é rapadura e só,
um pouco de água
e a dor no corpo
o homem se deita cansado
e dorme a noite toda
sem pensar nem em sonhar.
A lua ainda bonita
agora parece mais fria
o seu brilho prateado
está em leve agonia,
a madrugada se dissipa
com o sopro da ventania
um raio de sol desponta
traz consigo um novo dia.
O homem volta pra estrada
pra cuidar do seu asfalto
pra limpar a sua margem
desde baixo até o alto,
ele está sempre calado
trabalhando pro progresso
cuidando do automóvel
que um dia nesta estrada
lhe matará atropelado.
Chl
Ago/1979

sábado, setembro 03, 2005

CONTRACULTURA

Tela de Valderedo

A mente humana
hipnótica e submissa
se forma pela cultura
imune, púdica
religiosa e desumana.
Corpo são, mente sã.
O corpo não pode sentir "coisas"
que a mente não deve pensar
para não se tornar suja
pecadora,
pecar por pensar.
Entre o sentimento físico
e o pensamento proibido
cria-se o trauma
a tara
o pensamento livre
da mente sã.
As manifestações corporais
do corpo são
são a própria pureza
e simplicidade
do esperma humano.
Chl
Jul/1979

sábado, agosto 27, 2005

CARRINHO DE FEIRA


Na noite negra
de madrugada fria
ouço o rolar.
Como se na caatinga
o carro de boi viesse
com muito gás no "cocâo"
a cantar, cantar....
Qual nada,
era a roda
de um carrinho de mão
guiado por um menino.
Na cama quente, deliciosa
um copo de leite com espuma,
na rua,
o menino da feira
boca amarga
estômago vazio
a procura de dinheiro.
O carrinho enche
sua barriga ôca
abacaxis
mangas
laranjas
bananas
tomates,
e o menino aspira
seu almoçar.
Sem abacaxis
ele recebe
a cédula velha
de um cruzeiro
rasgada,
desvalorizada
e volta
em busca doutra carga
para aspirar
seu almoçar.
Depois,
volta pra casa
roda calada
denuncia a tristeza
do dono menino
do carrinho de feira.
Chl
Set/1978

quarta-feira, agosto 24, 2005

CAMINHO DA DROGA



Lembro da primeira vez que bebi pra valer, no dia do meu aniversário de 15 anos.Acho que bebi duas ou três doses de Ron Merino com Crush. Foi o suficiente.Fiquei completamente embriagado.
No carnaval, na sede velha do América Futebol Clube, levei uma lança perfume Rodouro, um recipiente de latão dourado, com um dispositivo na ponta para liberar o gás. Munido de um óculos de plástico, imitando o Ray-Ban americano, amarrado com um elástico para evitar levar um jato de lança perfume no olho.No meio do salão, pulando ao som de vassourinha, mirava nos olhos dos amigos e jogava perfume para atingir o olho e deixar ardendo o resto da tarde. Um amigo, um pouco mais velho do que eu, pegou no meu braço e falou,
-Não faz isso, não estraga a lança.
-Porque ? Perguntei.
-Coloca aqui na cortina que vou te mostrar pra que serve.
Shhiiii, ensopei a cortina, no canto do salão, na sede antiga do AFC, perto do corredor dos banheiros.Ele agarrou a cortina com as duas mãos e colocou no nariz, aspirando com toda força; fiquei assustado quando vi ele despecando com todo o corpo no chão. Imaginei: morreu.Logo logo, ele levantou e pulando alegremente no salão, me disse cheio de convicção:- É pra isso que serve.
Terminou o baile do domingo de carnaval e eu fui pra casa pensativo, querendo experimentar,mas com medo de desmaiar.Foi só o que deu. Parei no canto de um muro perto do seminário São Pedro, tirei o lenço do bolso e sapequei lança, até ensopar.Coloquei no nariz e logo tirei porque era gelado e eu não agüentava. Fui me acostumando, até que aspirei com todo fôlego. Escureceu tudo. Apaguei.
Quando acordei, minha cabeça doía muito e meu Deus, eu estava todo mijado.Passei a mão na cabeça, tinha um galo enorme.Quando cheguei perto de casa, todos estavam na calçada pra ver os papangus que passavam e o corso dos blocos. Entrei correndo e cantando tanranranran, o frevo vassourinha,direto para o banheiro pra ninguém notar que minha bermuda estava toda molhada de mijo.
Depois de algum tempo, já acostumado com a bebida alcoólica, já tomava Rum com coca-cola, cerveja e um pouco de aguardente, resolvi inventar de fumar.Comprei uma carteira de Cônsul, porque tinha um gostinho refrescante, e eu tinha que mostrar que tava virando homem, pois meus amigos todos já fumavam.Não me dei bem com o cigarro, na metade da carteira, dei a primeira pessoa que encontrei na rua; a partir desse dia eu não mais suportei cigarro e se colocasse um na boca, passava o resto do dia cuspindo.
No limiar da década de 70, eu já bebia tudo, e tomava muito porre de lança, só não conseguia fumar, mas não me incomodava se alguém fumasse do meu lado.
Um certo dia já com muito uísque na cabeça, me apresentaram um cigarro de maconha, duvidei pelo fato de não gostar de cigarros, mas encarei. Peguei o bicho na ponta dos dedos, tentando imitar os outros, e enchi a boca de fumaça, sem saber se engulia, soltava, ficava esperando desaparecer por si só, até que tive um acesso de tosse e soltei tudo. Escutei os comentários: - Esse cara é careta , é sujeira,melhor deixar pra outra hora. Confesso que depois me acostumei, só não aprendi a tragar até hoje, tampouco falar com o peito cheio de fumaça.
Bebia praticamente todos os dias e na época de férias, de final de ano,então o consumo era dobrado. Um belo dia apareceram dois caras vindos do Rio, com uns papelotes de cocaína; eu nunca tinha visto como era.Depois de muita conversa, resolvi comprar e experimentar.
Era feito todo um ritual, espelho debaixo de um abajur, lâminas de gilete para estirar as carreiras e uma cédula de dólar enrolada feito um canudinho para aspirar. Observei como era feito e em seguida coloquei o canudinho no nariz e aspirei a carreirinha de pó.Não senti absolutamente nada a não ser um gosto de tinta na boca e fui aconselhado a passar as sobras do espelho nas gengivas, como se joga o resto das hóstias no cálice de vinho.Saímos pra farra.
No dia seguinte eu fiquei pensando durante muito tempo.Jamais tive uma sensação tão boa em toda minha vida. Era como se todos os problemas não existissem mais, e toda euforia e alegria tomava conta de você.Resolvi que decididamente não queria mais aquilo, pois sabia que não era real, era fictício e perigoso e numa atitude sensata de equilíbrio abandonei para sempre, algo que eu achei fantástico.
Fiquei apenas bebendo muito e no carnaval continuava cheirando lança; na ressaca tomava gluco-energan com fostimol e energisan (nem sei se ainda existe hoje), a noite tomava reativan pra aguentar o repuxo do baile do clube.
Sobrevivi, hoje tomo cerveja gelada e de vez em quando tomo uma meladinha com caldo de dobradinha no Beco da Lama.
                 Frei Carmelo
                   Ago/2005

sábado, agosto 20, 2005

O FETO

O que é que tens
nessa barriga
que se agita
que tu afagas.
Fico curtindo
tua barriga
que cresce
aos poucos
como uma flor
que desabrocha.
Em tuas entranhas
cresce um filho
do amor, é claro
e nove meses
de quarentena
como se lá fora,
a liberdade existisse.
Chl.
Dez/1978