sexta-feira, novembro 30, 2007

HOMEM DE GELO


O homem chora
se fragiliza
se entrega
ri de felicidade
quando está com seu amor.
Aí aparece o cotidiano
as obrigações
os compromissos
o dia a dia
as desavenças.
O homem
se fecha
se enclausura
guarda os sentimentos no coração
e congela.
Chl
Nov/2007

CORRIDA

Partiu em velocidade
em alta velocidade
avançou sinais
fez curvas perigosas
deslizou na pista
acelerou
chegou ao êxtase
quase voou.
De repente
a freada brusca
a derrapagem
o câmbio quebrou
conseguiu sustentar
guiou pra garagem
parou.
Chl
Nov/2007

quarta-feira, novembro 28, 2007

CIÚME


A ira
aplaca,cerceia
pra proteger
o que se quer,
pra não perder
o que se tem.
O descontrole cega
reações impróprias
destroem
o que se queria
resguardar,
acaba se perdendo.
Chl.
Nov/2007

segunda-feira, novembro 26, 2007

FOTOSHOP


A fotografia foi esmaecendo
na gaveta digital
no álbun cibernético
no celular
no arquivo do computador
na pasta: fotos
Um dia, rebuscando
fazendo back up
escaneando
apareceu no visor.
Marcou em alta resolução
enquadrou
olhou mais uma vez,
a última:
DELETOU.
Chl.
Nov/2007

POR QUE ?


Por que partir
quando deve ficar
Por que não, sorrir
ao invés de chorar
Por que sofrer
quando se quer gozar
Por que se cala
quando deve falar.
No lugar da saudade
é melhor abraçar
No lugar da lembrança
é melhor se olhar
No lugar do adeus
é melhor se beijar.
Não vai esquecer
pois só quer se lembrar
Não vai ter rancor
pois só quer perdoar
Não quer tua vida
quer apenas te amar.
Chl
Nov/2007

VOANDO


Olhos fechados pros sonhos
entre as nuvens
pálpebras arriadas
vislumbrando um rumo:
- Estou sem rumo !
Lágrimas em silêncio
molhando a face
com um soluço que incomoda
arde por dentro
apertando o peito:
- Deixe quieta !
A saudade clama
por esta lembrança
é a certeza lúcida
do amor verdadeiro:
- Obrigado por tudo !
Chl.
Brasilia-Natal
Nov/2007

sábado, novembro 24, 2007

AMOR MADURO



Sonhei um dia
fazer um futuro
coração instável
quase inseguro
buscando luz
clareando escuro
saltando obstáculo
quebrando muro
em busca da paz
de um amor maduro.
Chl.
Brasília - Nov/2007

ESQUECIMENTO


Foi tão efemero
o que parecia eterno
sumiu da mente
sem emoção
o que parecia amor
foi uma ilusão.
Se apaga aos poucos
como caricatura
o sentimento intenso
era uma aventura.
O calor febril
só por um momento,
o que ficará "pra sempre"
é o esquecimento.

Chl
Brasilia - Nov/2007

terça-feira, novembro 20, 2007

A ROSA QUADRADA


No fundo do calabouço
No âmago da prisão
Entre estupros, torturas
Saudades, melancolia
Alienação,
Um profundo
Sentimento de liberdade.
No meio da luta
Pelos direitos,
Na busca
Das igualdades,
Uma grade de ferro
De onde se espreita
Ao longe, no campo
Uma rosa quadrada.
Um dia
A porta se abre
E a relva e o asfalto
Levam até a rosa
Que ainda está viva.
A grade quadrada
É a grande esperança
E a rosa viçosa
A própria vida.
Chl.
Abr/1980

AS UVAS


A colheita das uvas
matam a fome,
com a fruta
matam a sêde,
com o vinho.
A colheita de carinho
matam a fome,
com o desejo
matam a sêde,
com o amor.
Chl
Nov/2007

segunda-feira, novembro 19, 2007

DECISÃO


A armadilha do amor
exigiu a decisão
o êxtase profundo da alma
as agruras do coração
mas, quando do sonho acordou
prevaleceu a razão.
A garrafa está vazia
na mesa, apenas a rolha
as palavras surgem ao vento
voando como uma folha
aclarou-se, bateu na face
precipitando a escolha.
A língua torpe, afiada
a rebeldia de criança
apaga todas as juras
coisa bela, quase mansa
e o bandolim em agonia
não passa de uma lembrança.
Chl.
Nov/2007

sexta-feira, novembro 16, 2007

PROCLAMAÇÃO


A fumaça
em espirais
desenhava seu rosto.
No copo
a vodcka pura,
tinha sabor de vinho.
Beijos sequenciados
eram agora
uma lembrança.
Um último olhar
triste, de solslaio,
negro, distante.
Pela sua natureza
proclamava:
A queda da realeza
do amor
substituída
pela liberdade
de viver.
Chl
Nov/2007

quinta-feira, novembro 15, 2007

VIOLINOS MÁGICOS


Ilustração: Marcelus Bob



Teria me embalado
de sonhos de amor
se tivesse escutado
os violinos mágicos
antes de dormir.
Acordado
ouço agora
adormeço nos sonhos
me embalo
no teu amor.
Meu peito arde
meu coração aperta
minha alma chora,
de saudades de ti.
Chl.
Nov/2007

segunda-feira, novembro 12, 2007

OLHOS NEGROS


Olhos negros
umedecidos
por lágrimas,
fitam.
Nariz arfante
respirando,
ofegante.
Boca entreaberta
ainda molhada
do último beijo,
fala:
- Me deixe viver.
Chl.
Nov/2007



terça-feira, novembro 06, 2007

O QUADRO


Diego Rivera

Sete vezes eu te vi
Sete vezes te vivi
Sete vezes eu te curti
Sete vezes te falei
Sete vezes eu te menti
Sete vezes te chamei
Sete vezes eu te amei
Sete vezes te matei.
Chl
Jun/1978


terça-feira, outubro 30, 2007

A BOMBA DE EFEITO MORAL

Foto de Oswaldo Ribeiro


Sexta feira, dia de chorinho no Beco, cheguei por volta das 19:00 hs e dirigi-me para a tradicional "mesa de pista" do Bar de Nazaré.
Fui recebido efusivamente pelo meu amigo Léo Sodré, que ao levantar-se da mesa, derrubou o copo de Montolla e num arremate ligeiro disparou:
- Foi Lula Augusto.
Lula estava sentado do outro lado da mesa, muito longe do copo, mesmo assim retirou os óculos escuros e franziu o cenho para Léo, que se abriu numa grande risada e falou:
-To brincando viu!
Em seguida chegou Orf e sentou-se na ponta da mesa, retirou sua Sony fininha e começou a disparar fotos com o braço estirado, que só Deus sabe como ele acerta o foco.

Pedi a Tatiana uma dose dupla de vodka e um saquinho de amendoim, imediatamente Léo levantou a mão em concha, com os dedos apontados pra mesa, pra abocanhar os amendoins e tirar o gosto da dose de montilla. Neste momento Tásia que atendia o seu celular azul, falando com o namorado, sentiu o cheiro de sururu queimado e correu pra cozinha, deixando o fone pendurado balançando e os gritos de alô, alô...

Convidei uns amigos, para prestigiar o chorinho, entre eles Junior Protege, que na época do Resenha, nós o apresentamos a muita gente como sendo Cloe. Quando Hugo Macedo foi apresentado, estranhou:
-Vige, pensei que Cloe fosse viado, mas é esse bichão aí?

Depois de muito papo, pedi pra Junior me dar uma carona. Dunga havia chegado e estava sentado na mesa tomando cerveja. Pedi que ele levasse Léo pra casa, que já estava sem se segurar em pé, depois de uma enxurrada de rom montilla.

Pagamos a conta e fui com Junior para o carro estacionado na Vigário Bartolomeu. Quando abri a porta para entrar, ouvi a voz:
-Também vou.
Olhei, era Léo, que chegou correndo e costurando a calçada. Abri a porta traseira para ele e sentei na frente.

Quando chegamos na Prudente de Morais, perguntei:
- Léo, você vai pra casa de Mércia? Ele respondeu:- No estado que estou só dá pra dormir na casa de mamãe.
Junior, que sabe onde é a casa, tocou pra lá, quando de repente, ouvi o ruflar do vento adentrando ao carro e percebi que os vidros elétricos desciam rapidamente, olhei para ele e percebi que dirigia só com uma mão, a outra tapava o nariz e eu ainda inebriado pela vodka, tardiamente, senti um fedor terrível invadindo minhas narinas. Olhei para trás, pra ver se Léo ainda estava vivo e ele com o sorriso maroto, perguntou:
- Já estamos perto? Estamos chegando, respondi.
Junior acelerou o carro e o vento forte conseguiu amenizar o cheiro, quando os vidros começaram a subir, sinalizando que a situação estava normalizada.
De repente, veio à lembrança das passeatas estudantis de 1968, quando eu era estudante em São Paulo, um terrível vapor de bomba de efeito moral, temperada com carbureto, fez Junior imediatamente abaixar os quatro vidros de uma vez e já sem segurar no volante, pois estava com as duas mãos no nariz, por entre os dedos, perguntar ao chegar na casa de Léo:
-Vamos deixá-lo aqui? Claro, respondi, aqui é a casa dele, por que?
- Porque eu acho que ele tá todo cagado.

                   Chl
                Out/2007


quarta-feira, outubro 24, 2007

TERCEIRA VIA

                                          Foto : Oswaldo Ribeiro

Em meados de Janeiro próximo passado, aconteceu um evento na Câmara dos Vereadores de Natal, para discutir formas ideológicas do pensamento político. Divisões entre esquerda e direita e outros significados ideológicos remanescentes da revolução francesa.
A mesa era presidida pelo vereador Junior Rodovia e tendo como debatedores, os intelectuais Adenubio Melro e Dickson Massa.

Em meio à discussão,apartes, insinuações, dança de cadeiras - vereadores mudavam das cadeiras da esquerda para a direita, de acordo com a vantagem de cada lado no debate -momentos de tensão, tiradas de alto teor ideológico e grandes opiniões de ciência política.

Neste ínterim, entra Severina a "Imperatriz do Brasil", querendo opinar, dizendo-se a favor da Monarquia e ela assumindo imediatamente o poder. Formou-se um grande bafafá; foi então que chamaram Léo Sodré,para retirá-la do plenário. Leonardo com muito jeito e afago, entre um abraço e um cheiro em Severina, conseguiu convencê-la a sair do recinto, dando-lhe uma cochichada no ouvido.

O debate continua acalorado, com Junior aos berros dizendo que todos os transportes populares deveriam andar apenas pela esquerda das pistas de rolamento, sem se incomodar com mão ou contra mão, uma vez que transporte do povo e para o povo têm prioridade.

Foi aí que, para surpresa geral da platéia, entra uma senhora idosa, dizendo-se viúva de um ex-vereador, aos berros, falando que os vereadores do Natal, deveriam se preocupar com o serviço prestado à população e não com debates políticos estéreis. Serviço público, gritava a inteligente senhora,como o pagamento digno e em dia da pensão das viúvas dos ex-vereadores, onde ela era uma das vítimas.
Nesse interregno, chamam novamente Léo Sodré, para solucionar o caso. Mais uma vez, Leonardo com seu jeito manso, com afagos,com cheiros, sem antes, dar uma cochichada no ouvido da senhora, consegue retirá-la do recinto.

Retornando já exausto e de saco cheio dessas missões geriátricas, Léo se depara com Paulão da TV Câmara, ao lado do seu parceiro de programa, Ted Boy Marino, com um microfone na mão e um jovem com uma câmera no ombro apontada para ele, dispara:
- Léo , o que você acha da Terceira Via?
Léo, puto da vida, olha para Paulão de baixo pra cima e responde:
- Eu quero lá saber de porra de terceira via, eu vou procurar a terceira véia, porque com essa duas eu me reiei.
                   Chl
                 Out/2007
                                                                                                                        
                                                                            

domingo, outubro 21, 2007

SILÊNCIO


Na angústia do amor
o silêncio
é ensurdecedor.
Chl
Out/2007
Porto de Galinhas-Pe

sábado, setembro 29, 2007

AH ! O AMOR.

Ilustração: Franklin Serrão


Ah! o amor,
bom de viver
difícil conviver,
impossível
entender.
Chl.
Set/2007

quinta-feira, agosto 30, 2007

TATUAGEM


TATUAGEM

O amor,
no momento,
é como imagem.

O amor ,
eterno,
é uma miragem.

Com a força da paixão,
fica feliz o coração,
tá no peito,
a tatuagem.

A saudade atormenta,
o desejo não aguenta,
a lembrança,
sempre acalma.

E o amor,
muito profundo,
o maior, talvez
do mundo,
é tatuagem na alma.

Chl.
30/08/2007