segunda-feira, fevereiro 18, 2008

O CHEIRO DO LENÇO


O suor do rosto
enxugou no lenço
que levou seu cheiro.
A lágrima na face
foi enxugada
e levou o lenço.
O rosto continua suando,
mas não sei,
se ainda existe lágrima.
O lenço está guardado
ensopado com suor
molhado com lágrima,
mas não sei,
se ainda tem cheiro.
Chl
Fev/2008

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

ESPINHO


Tudo em ti
era como a rosa
teu aroma
tua cor.
Atraíste-me
de ti gostei
te abracei
................
Um grito de dor
....................
Teu espinho
traspassou
meu coração.
Chl
Set/1968

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

CAMILO


Toca o telefone
as cinco horas da manhã
dia trê de agosto
o susto e a emoção
me levaram da cama
para o telefone.
Era homem
era meu filho
Camilo.
As lágrimas
explodiram no rosto,
a garganta
apertou de emoção
e pela priomeira vez,
ao nascer um filho,
eu chorei.
Chl
03/Ago/1979.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

CHAGAS JR.


Dentro de mim
algo incomoda
não sei se angústia
medo
raiva
decepção
ódio,amor
enfim,
não existe paz interior
mas,
interiormente
eu brigo por ela.
Na fresta da porta
olho para a rede
que se move
se mexe, se balança
dentro dela
dois olhos cinzas
quase castanhos
me fitam
com ansiedade
e eu me atiro
em seus braços.
O seu cheiro de criança
o seu soriso de filho
traziam para mim
ainda que por um instante,
a paz que eu precisava.
Eu sentia amor
interiormente
sentia paz
não sei se trazida
por tanto amor
ou pelo dever de ser pai.
Descobri
para mim mesmo:
"O sorriso de Junoca
me faz feliz".
Chl
Set/1978

sábado, fevereiro 09, 2008

BREVE,PERMANENTE


O canto do pássaro
é efêmero
mas, inesquecível
A beleza da flor
dura pouco
mas, fica na retina.
Seu perfume
é fugaz
mas, apodera-se do olfato
O amor
mesmo em colóquio breve
permanece no peito.
Chl
Fev/2008

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

MÚSICA NO AR

Música no ar
fios do teu cabelo
pelo chão.
Uma angústia boa,
saudades de ajoelhar-se
na missa matinal,
pela TV.
Lembranças da risada
desatada
do espelho no teto
corpos nus
e renda na "langerie",
da raiva passageira
quase fingida.
A chuva inunda o quarto
ou é água do ar condicionado
que ligado, avisa:
A felicidade voltou.
Chl
Jan/1993

UVA


Tenho o mar
a terra, o céu
as estrelas
Os filhos, meus tesouros
uma felicidade incompleta.
No semi-árido
na terra sêca
uma parreira agreste
uma uva virgem.
Na aparente acidez
a doçura do mel
o pedaço de felicidade
que faltava.
Chl
Jan/1993.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

BARCO À DERIVA


A amarra partiu
soltou a âncora
distanciou-se do cais.
No rádio
a luzinha vermelha
pisca,
como um tensiômetro
medindo batidas
do coração,
o microfone está mudo.
O tripulante
olha no horizonte,
consulta a bússola
procurando rumo,
vislumbra
a imensidão do mar
tentando encontrar
outro barco
perdido.
Chl
Jan/2008

sábado, janeiro 26, 2008

BANDA DA RIBEIRA


A banda tocava frevo
as pessoas dançavam
cantavam
bebiam
fumavam.
Através das espirais
da fumaça do charuto
eu espreitava:
Casais apaixonados
se beijando
Cabelos presos
incomodando
beijo na face
arrebatando.
Para cumprir a palavra
dei minha camisa da banda
e Fia saiu desfilando
compromentendo meu cheiro
pela adjacência do Beco.
Chl
 Jan/2008 



sexta-feira, janeiro 25, 2008

NOVOS BARES

Bar de Cristina.


Fui à Santa Cruz hoje, tratar de assuntos pessoais. Matuto é assim, quando chove, corre pro campo pra ver a lavoura nascer. As vezes demoro meses sem ir lá, com o advento da internet, pago ao vaqueiro com tranferência bancária; pois bem, quando passava no bairro Paulo Afonso(subestação da CHESF),vizinho ao Paraíso, deparei-me com " A Mansão do Forró", um galpão de 6x4m, com cobertura de zinco, já imaginou? O melhor, por trás desta casa, tem "O Consulado da Cerveja".... êita gôta serena, Santa Cruz tá abafando.
Havia encomendado um cabrito, ao vaqueiro, pra comer um churrasco, e fui encontrá-lo no matadouro, que fica na rua do cabaré.
Enquanto esperava, fui tomar uma cerveja no "Eskular Bar" (é o fraco), da minha querida Cristina, filha de Chica bucetinha, rapariga das mais antigas do cabaré de Santa Cruz, que tolerou muito minhas cachaças, quando adolescente, nas primeiras investidas do mundo do sexo.
Cristina me deu um longo e afetuoso abraço e falou:
- Sente-se, que vou colocar sua cerveja, preparar um tira-gosto e fazer uma surpresa.
- Que surpresa ? Perguntei surpreso.
- Um DVD de Waldick Soriano, especialmente pra você, porque sei que você gosta.
Arrasou.
Voltando pra Natal, pra encurtar caminho, afim de chegar logo e colocar o bode no freezer, peguei a estrada dos Guarapes e na altura do bairro Felipe Camarão, vislumbrei uma placa enorme na beira da estrada: BAR DA FAVA. Enchi a boca d'água, deu vontade de tomar "uma de cana", mas, se eu paro o danado do bode tinha ficado logo lá.
Aproveito para convidar os amigos, Léo, Dunga, Karl, Alex e quem mais se habilitar, para conhecermos o Bar da Fava de Felipe Camarão. Enviarei um e-mail para Mané Fava, avisando o dia e convidando-o, para estar presente. Levarei comigo, Paulinho à Côres e Afrânio Amorim.
                   Chl
                 Jan/2008

segunda-feira, janeiro 21, 2008

VOLTEI


O sorriso franco
braços abertos
calmaria,
estou de volta.
Descaminhos do amor
vielas da ilusão
floresta de sentimentos
felicidade total,
êxtase.
Pés no chão
cabeça a mil
eternas lembranças
saudades,
voltei.
Chl
Jan/2008

quarta-feira, janeiro 16, 2008

ESCRITA


Fim de madrugada
dia chegando
chuva no parabrisa
água escorrendo
desenhando palavras,
ilegíveis
interpretações erradas
agressões gratuitas,
sacanas.
A água escorrendo
pelo asfalto
carregando para o rio,
que irá levar para o mar
a desesperança,
o esquecimento
forçado
compulsório.
Chl
Jan/2008

terça-feira, janeiro 08, 2008

HOJE É TERÇA FEIRA


Hoje é terça
desejo programado
atropelado
quase esquecido
mesmo lembrado.
Frango ligth
enjoado
piscina sêca
mar chegando,
purê de abobrinha
coisa minha
com mostarda
e cervejinha.
Músicas gravadas
tocadas
lembradas
choradas.
Alma viva
peito aberto,
vida que segue
para outro dia.
Chl
Jan/2008

sexta-feira, janeiro 04, 2008

THE END ENFIM


Uma dor lancinante
cortando a carne
reprisando cenas,
definitivamente,
caminhando para o fim,
"the end" enfim.
As mesmas canções
repetidas
milhões de vezes
acalmando lembranças,
acentuando dores.
No ar
o som da voz
na boca
o sabor do beijo
nos olhos
o sorriso derradeiro
na alma
uma grande saudade.
Chl
Jan/2008

quinta-feira, janeiro 03, 2008

NATUREZA


A doçura
do beija-flor
o canto lindo
do canário
a coragem
do gavião
a valentia
da águia.
O perfume
do jasmim
a beleza
do lírio
a imponência
do antúrio
o espinho
da rosa.
A natureza
abriga em seu ventre
o canto dos pássaros
o perfume das flores
o labirinto
do sentimento humano.
Chl
Jan/2008

quarta-feira, janeiro 02, 2008

VULTO


Era apenas um vulto
passageiro,fugaz
uma imagem simples
visão singela.
Um sonho doce
sobresaltado
entremeado
de pesadelos
superados.
Agora, um vislumbre
olhando em volta
revivendo o sonho
antigo,
acordando.
Chl
Jan/2008

segunda-feira, dezembro 31, 2007

FELIZ 2008


2007
Mais um ano que se foi
acasos aconteceram
marcaram vidas.
Corações palpitantes
de felicidade
corações apertados
de saudade.
Almas renascidas
sentindo amor,
almas contidas
curtindo a dor.
Novos caminhos virão
-que tudo dê certo-
no ano que chega
FELIZ 2008.
Chl
Dez/2007


sexta-feira, dezembro 28, 2007

OBRIGADO,ADEUS.


Vermelho 27
ganhou !
Agradecimentos
pelo aprendizado,
pela companhia
entremeados,
com cervejas
e lágrimas.
Grandes risadas
gozando
o seu próprio grito.
O perfume do "sachet"
embalsamava o ambiente
único
exclusivo
inesquecível.
Obrigado,adeus
até um dia.
Chl
Dez/2007

quarta-feira, dezembro 26, 2007

VERMELHO 27


Vermelho 27
perdeu!
Deu preto
cor de despedida
jogada de adeus,
dúzias de rosas
vermelhas
de réquiem.
Data trocada
desejo perdido
na roleta da vida
o mundo é um moinho.
Recados musicais
entendidos
assimilados
compreendidos
aceitados.
Vinte e sete
foi o erro
do desejo
que ficou
para sempre
na lembrança.
Chl
Dez/2007.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

FLOR RENASCENDO


O rosto
rejuvenesceu
as flores murchas
renasceram
os pássaros mudos
entoaram seus cantos.
O brilho da vida
voltou
surgiu
de um ninho mágico
inexplicável
encantador
único,isolado
puro,feliz.
É o amor escolhendo
formas incompreensíveis
de existir
se perpetuar
sobreviver.
Chl
Dez/2007

terça-feira, dezembro 18, 2007

O ROSTO


O rosto entre as mãos
como uma relíquia,
está esmaecendo
como uma fotografia antiga,
amarelando
sumindo devagar.
Os pontos negros
dos olhos,
virando cinza,
desaparecendo.
Chl
Dez/2007

TURBILHÃO DE PALAVRAS


Um turbilhão de palavras
esvoaçavam no sonho
despedaçavam o poema
caíam em profusão.
Palavras como:
amor
verdadeiro
para sempre
misturavam-se com:
mágoa
ressentimento
incompreensão
ciúme.
Constatei:
nada é para sempre
nem os poemas
que agora mudos
viram
silêncio.
Chl
Dez/2007

domingo, dezembro 16, 2007

FELICIDADE CHEGANDO


Linda manhã de sol
bentevis e rolinhas
cantam na pitombeira
o rouxinol voltou pro abacateiro
a lavadeira pulula nas águas da piscina.
O pau brasil, abriu suas flores amarelas
crisântemos e orquídeas
disputam a beleza com as rosas
e exalam perfumes dos deuses.
Tudo parece,a felicidade
chegando.
Chl
Dez/2007

quinta-feira, dezembro 13, 2007

CHUVA NO TELHADO


Não ouvi
o farfalhar da chuva
no telhado,
dormia profundamente.
Sequer ouvi
o alarme estridente.
Senti apenas
os pingos dos teus sentimentos
inundando
meu coração.
Chl
Dez/2007

sábado, dezembro 08, 2007

DORES


Noites insones
pensamentos vagueiam
dores liberadas
compressas geladas
pomada analgésica
gelo de erva doce.
Alívio momentâneo
lépido
dores contínuas
libertadas
sem cessar.
Chl
Dez/2007

sexta-feira, dezembro 07, 2007

SAUDADE BOA


A saudade boa
é quando existe esperança
de vida.
A saudade ruim
é a desesperança de se perder
pra morte.
Chl
Dez/2007

quinta-feira, dezembro 06, 2007

CONFLITO


A grandeza do homem
está no amor
na coragem de se doar,
as vezes, sacrificando sentimentos
ceifando momentos felizes
pela responsabilidade do futuro.
A fraqueza do homem
está no egoísmo
na insensatez de julgar
no desejo impuro de ofender
na insistência da incompreensão
no pecado da vingança.
Chl
Dez/2007

terça-feira, dezembro 04, 2007

ETERNO


Não se afobe não
que nada é pra já,
diz a música de Chico.
As abelhas continuam
fazendo mel
o sol e a lua
continuam no céu
os pássaros continuam
beijando as flores
que continuam
exalando perfumes.
A vida
é passageira,
o amor verdadeiro
é eterno.
Chl
Dez/2007

sexta-feira, novembro 30, 2007

HOMEM DE GELO


O homem chora
se fragiliza
se entrega
ri de felicidade
quando está com seu amor.
Aí aparece o cotidiano
as obrigações
os compromissos
o dia a dia
as desavenças.
O homem
se fecha
se enclausura
guarda os sentimentos no coração
e congela.
Chl
Nov/2007

CORRIDA

Partiu em velocidade
em alta velocidade
avançou sinais
fez curvas perigosas
deslizou na pista
acelerou
chegou ao êxtase
quase voou.
De repente
a freada brusca
a derrapagem
o câmbio quebrou
conseguiu sustentar
guiou pra garagem
parou.
Chl
Nov/2007

quarta-feira, novembro 28, 2007

CIÚME


A ira
aplaca,cerceia
pra proteger
o que se quer,
pra não perder
o que se tem.
O descontrole cega
reações impróprias
destroem
o que se queria
resguardar,
acaba se perdendo.
Chl.
Nov/2007

segunda-feira, novembro 26, 2007

FOTOSHOP


A fotografia foi esmaecendo
na gaveta digital
no álbun cibernético
no celular
no arquivo do computador
na pasta: fotos
Um dia, rebuscando
fazendo back up
escaneando
apareceu no visor.
Marcou em alta resolução
enquadrou
olhou mais uma vez,
a última:
DELETOU.
Chl.
Nov/2007

POR QUE ?


Por que partir
quando deve ficar
Por que não, sorrir
ao invés de chorar
Por que sofrer
quando se quer gozar
Por que se cala
quando deve falar.
No lugar da saudade
é melhor abraçar
No lugar da lembrança
é melhor se olhar
No lugar do adeus
é melhor se beijar.
Não vai esquecer
pois só quer se lembrar
Não vai ter rancor
pois só quer perdoar
Não quer tua vida
quer apenas te amar.
Chl
Nov/2007

VOANDO


Olhos fechados pros sonhos
entre as nuvens
pálpebras arriadas
vislumbrando um rumo:
- Estou sem rumo !
Lágrimas em silêncio
molhando a face
com um soluço que incomoda
arde por dentro
apertando o peito:
- Deixe quieta !
A saudade clama
por esta lembrança
é a certeza lúcida
do amor verdadeiro:
- Obrigado por tudo !
Chl.
Brasilia-Natal
Nov/2007

sábado, novembro 24, 2007

AMOR MADURO



Sonhei um dia
fazer um futuro
coração instável
quase inseguro
buscando luz
clareando escuro
saltando obstáculo
quebrando muro
em busca da paz
de um amor maduro.
Chl.
Brasília - Nov/2007

ESQUECIMENTO


Foi tão efemero
o que parecia eterno
sumiu da mente
sem emoção
o que parecia amor
foi uma ilusão.
Se apaga aos poucos
como caricatura
o sentimento intenso
era uma aventura.
O calor febril
só por um momento,
o que ficará "pra sempre"
é o esquecimento.

Chl
Brasilia - Nov/2007

terça-feira, novembro 20, 2007

A ROSA QUADRADA


No fundo do calabouço
No âmago da prisão
Entre estupros, torturas
Saudades, melancolia
Alienação,
Um profundo
Sentimento de liberdade.
No meio da luta
Pelos direitos,
Na busca
Das igualdades,
Uma grade de ferro
De onde se espreita
Ao longe, no campo
Uma rosa quadrada.
Um dia
A porta se abre
E a relva e o asfalto
Levam até a rosa
Que ainda está viva.
A grade quadrada
É a grande esperança
E a rosa viçosa
A própria vida.
Chl.
Abr/1980

AS UVAS


A colheita das uvas
matam a fome,
com a fruta
matam a sêde,
com o vinho.
A colheita de carinho
matam a fome,
com o desejo
matam a sêde,
com o amor.
Chl
Nov/2007

segunda-feira, novembro 19, 2007

DECISÃO


A armadilha do amor
exigiu a decisão
o êxtase profundo da alma
as agruras do coração
mas, quando do sonho acordou
prevaleceu a razão.
A garrafa está vazia
na mesa, apenas a rolha
as palavras surgem ao vento
voando como uma folha
aclarou-se, bateu na face
precipitando a escolha.
A língua torpe, afiada
a rebeldia de criança
apaga todas as juras
coisa bela, quase mansa
e o bandolim em agonia
não passa de uma lembrança.
Chl.
Nov/2007

sexta-feira, novembro 16, 2007

PROCLAMAÇÃO


A fumaça
em espirais
desenhava seu rosto.
No copo
a vodcka pura,
tinha sabor de vinho.
Beijos sequenciados
eram agora
uma lembrança.
Um último olhar
triste, de solslaio,
negro, distante.
Pela sua natureza
proclamava:
A queda da realeza
do amor
substituída
pela liberdade
de viver.
Chl
Nov/2007

quinta-feira, novembro 15, 2007

VIOLINOS MÁGICOS


Ilustração: Marcelus Bob



Teria me embalado
de sonhos de amor
se tivesse escutado
os violinos mágicos
antes de dormir.
Acordado
ouço agora
adormeço nos sonhos
me embalo
no teu amor.
Meu peito arde
meu coração aperta
minha alma chora,
de saudades de ti.
Chl.
Nov/2007

segunda-feira, novembro 12, 2007

OLHOS NEGROS


Olhos negros
umedecidos
por lágrimas,
fitam.
Nariz arfante
respirando,
ofegante.
Boca entreaberta
ainda molhada
do último beijo,
fala:
- Me deixe viver.
Chl.
Nov/2007



terça-feira, novembro 06, 2007

O QUADRO


Diego Rivera

Sete vezes eu te vi
Sete vezes te vivi
Sete vezes eu te curti
Sete vezes te falei
Sete vezes eu te menti
Sete vezes te chamei
Sete vezes eu te amei
Sete vezes te matei.
Chl
Jun/1978


terça-feira, outubro 30, 2007

A BOMBA DE EFEITO MORAL

Foto de Oswaldo Ribeiro


Sexta feira, dia de chorinho no Beco, cheguei por volta das 19:00 hs e dirigi-me para a tradicional "mesa de pista" do Bar de Nazaré.
Fui recebido efusivamente pelo meu amigo Léo Sodré, que ao levantar-se da mesa, derrubou o copo de Montolla e num arremate ligeiro disparou:
- Foi Lula Augusto.
Lula estava sentado do outro lado da mesa, muito longe do copo, mesmo assim retirou os óculos escuros e franziu o cenho para Léo, que se abriu numa grande risada e falou:
-To brincando viu!
Em seguida chegou Orf e sentou-se na ponta da mesa, retirou sua Sony fininha e começou a disparar fotos com o braço estirado, que só Deus sabe como ele acerta o foco.

Pedi a Tatiana uma dose dupla de vodka e um saquinho de amendoim, imediatamente Léo levantou a mão em concha, com os dedos apontados pra mesa, pra abocanhar os amendoins e tirar o gosto da dose de montilla. Neste momento Tásia que atendia o seu celular azul, falando com o namorado, sentiu o cheiro de sururu queimado e correu pra cozinha, deixando o fone pendurado balançando e os gritos de alô, alô...

Convidei uns amigos, para prestigiar o chorinho, entre eles Junior Protege, que na época do Resenha, nós o apresentamos a muita gente como sendo Cloe. Quando Hugo Macedo foi apresentado, estranhou:
-Vige, pensei que Cloe fosse viado, mas é esse bichão aí?

Depois de muito papo, pedi pra Junior me dar uma carona. Dunga havia chegado e estava sentado na mesa tomando cerveja. Pedi que ele levasse Léo pra casa, que já estava sem se segurar em pé, depois de uma enxurrada de rom montilla.

Pagamos a conta e fui com Junior para o carro estacionado na Vigário Bartolomeu. Quando abri a porta para entrar, ouvi a voz:
-Também vou.
Olhei, era Léo, que chegou correndo e costurando a calçada. Abri a porta traseira para ele e sentei na frente.

Quando chegamos na Prudente de Morais, perguntei:
- Léo, você vai pra casa de Mércia? Ele respondeu:- No estado que estou só dá pra dormir na casa de mamãe.
Junior, que sabe onde é a casa, tocou pra lá, quando de repente, ouvi o ruflar do vento adentrando ao carro e percebi que os vidros elétricos desciam rapidamente, olhei para ele e percebi que dirigia só com uma mão, a outra tapava o nariz e eu ainda inebriado pela vodka, tardiamente, senti um fedor terrível invadindo minhas narinas. Olhei para trás, pra ver se Léo ainda estava vivo e ele com o sorriso maroto, perguntou:
- Já estamos perto? Estamos chegando, respondi.
Junior acelerou o carro e o vento forte conseguiu amenizar o cheiro, quando os vidros começaram a subir, sinalizando que a situação estava normalizada.
De repente, veio à lembrança das passeatas estudantis de 1968, quando eu era estudante em São Paulo, um terrível vapor de bomba de efeito moral, temperada com carbureto, fez Junior imediatamente abaixar os quatro vidros de uma vez e já sem segurar no volante, pois estava com as duas mãos no nariz, por entre os dedos, perguntar ao chegar na casa de Léo:
-Vamos deixá-lo aqui? Claro, respondi, aqui é a casa dele, por que?
- Porque eu acho que ele tá todo cagado.

                   Chl
                Out/2007


quarta-feira, outubro 24, 2007

TERCEIRA VIA

                                          Foto : Oswaldo Ribeiro

Em meados de Janeiro próximo passado, aconteceu um evento na Câmara dos Vereadores de Natal, para discutir formas ideológicas do pensamento político. Divisões entre esquerda e direita e outros significados ideológicos remanescentes da revolução francesa.
A mesa era presidida pelo vereador Junior Rodovia e tendo como debatedores, os intelectuais Adenubio Melro e Dickson Massa.

Em meio à discussão,apartes, insinuações, dança de cadeiras - vereadores mudavam das cadeiras da esquerda para a direita, de acordo com a vantagem de cada lado no debate -momentos de tensão, tiradas de alto teor ideológico e grandes opiniões de ciência política.

Neste ínterim, entra Severina a "Imperatriz do Brasil", querendo opinar, dizendo-se a favor da Monarquia e ela assumindo imediatamente o poder. Formou-se um grande bafafá; foi então que chamaram Léo Sodré,para retirá-la do plenário. Leonardo com muito jeito e afago, entre um abraço e um cheiro em Severina, conseguiu convencê-la a sair do recinto, dando-lhe uma cochichada no ouvido.

O debate continua acalorado, com Junior aos berros dizendo que todos os transportes populares deveriam andar apenas pela esquerda das pistas de rolamento, sem se incomodar com mão ou contra mão, uma vez que transporte do povo e para o povo têm prioridade.

Foi aí que, para surpresa geral da platéia, entra uma senhora idosa, dizendo-se viúva de um ex-vereador, aos berros, falando que os vereadores do Natal, deveriam se preocupar com o serviço prestado à população e não com debates políticos estéreis. Serviço público, gritava a inteligente senhora,como o pagamento digno e em dia da pensão das viúvas dos ex-vereadores, onde ela era uma das vítimas.
Nesse interregno, chamam novamente Léo Sodré, para solucionar o caso. Mais uma vez, Leonardo com seu jeito manso, com afagos,com cheiros, sem antes, dar uma cochichada no ouvido da senhora, consegue retirá-la do recinto.

Retornando já exausto e de saco cheio dessas missões geriátricas, Léo se depara com Paulão da TV Câmara, ao lado do seu parceiro de programa, Ted Boy Marino, com um microfone na mão e um jovem com uma câmera no ombro apontada para ele, dispara:
- Léo , o que você acha da Terceira Via?
Léo, puto da vida, olha para Paulão de baixo pra cima e responde:
- Eu quero lá saber de porra de terceira via, eu vou procurar a terceira véia, porque com essa duas eu me reiei.
                   Chl
                 Out/2007
                                                                                                                        
                                                                            

domingo, outubro 21, 2007

SILÊNCIO


Na angústia do amor
o silêncio
é ensurdecedor.
Chl
Out/2007
Porto de Galinhas-Pe

sábado, setembro 29, 2007

AH ! O AMOR.

Ilustração: Franklin Serrão


Ah! o amor,
bom de viver
difícil conviver,
impossível
entender.
Chl.
Set/2007

quinta-feira, agosto 30, 2007

TATUAGEM


TATUAGEM

O amor,
no momento,
é como imagem.

O amor ,
eterno,
é uma miragem.

Com a força da paixão,
fica feliz o coração,
tá no peito,
a tatuagem.

A saudade atormenta,
o desejo não aguenta,
a lembrança,
sempre acalma.

E o amor,
muito profundo,
o maior, talvez
do mundo,
é tatuagem na alma.

Chl.
30/08/2007



sábado, agosto 18, 2007

CORAÇÃO

Foto: Oswaldo Ribeiro

Pequeno roubo
é furto
Furto grande
é roubo
Sentimento firme
é amor
Sentimento forte
é paixão.
Quiseram furtar
meu peito
Roubaram
meu coração.
Chl
Ago/2007

quinta-feira, agosto 16, 2007

FLOR DE RIACHO

Foto Alex Gurgel

Agreste,brejeira
néctar doce
pra natureza,
meio amargo
para pássaros,
difícil
fazer ninho.
O beija-flor
crava-lhe a língua
pelo néctar
agridoce,
quase que,
sabor de vinho.
Com vigor
arrisca o pouso
param as asas,
de voar,
em seu peito
crava o espinho.
Chl.
Ago/2007